Reunidos na mesma barca
“Todos na mesma barca” deve ser um princípio de vida. Ele inspira respeito, gratidão, humildade e compromisso com o bem comum

A imagem do Papa Francisco, sozinho e em oração na Praça São Pedro durante a pandemia, marcou profundamente o mundo. Em meio à crise global da COVID-19, suas palavras ecoaram fortemente: “Ninguém se salva sozinho. Todos estão na mesma barca.” Essa frase expressa uma sabedoria essencial, contrária ao individualismo e à soberba que ainda marcam tantas atitudes humanas. Reconhecer-se parte de um corpo maior — a “barca” da humanidade — é condição fundamental para enfrentar as tempestades que ameaçam a coletividade.
“Todos na mesma barca” deve ser um princípio de vida. Ele inspira respeito, gratidão, humildade e compromisso com o bem comum. É um antídoto para as mágoas e os ódios que alimentam guerras — inclusive as guerras de palavras nos lares e nas redes sociais. A espiritualidade do pertencimento mútuo é caminho para evitar naufrágios com perdas irreparáveis.
Em vez de guerrear por palavras, é preciso agir com fraternidade. Como disse Santo Antônio: “Cessem as palavras, falem as obras.” Palavras sem ação podem deixar a barca à deriva. O Evangelho nos lembra: o outro é sempre mais importante, pois todos estamos na mesma barca. Ainda é tempo de se salvar — o caminho é assumir a corresponsabilidade no cuidado uns dos outros.
O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.



