Belo Horizonte
Itatiaia

Falta de frente ampla influenciou decisão de Pacheco

Fora do PSD, senador precisaria de partidos de centro para ter recursos e tempo de TV

Por
Rodrigo Pacheco
Rodrigo Pacheco • Geraldo Magela / Agência Senado

A falta de uma frente ampla para disputar as eleições foi um dos principais motivos da negativa do senador Rodrigo Pacheco (PSB) em disputar o Governo de Minas. O ex-presidente do Congresso Nacional esperava que o Partido dos Trabalhadores e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) construíssem uma aliança que reunisse outros partidos além dos que compõem a federação comandada pelos petistas, formada por PV e PCdoB.

O PSB, partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e, recentemente, do próprio Pacheco, é a única legenda que, até então, sinalizou positivamente para a aliança de Lula no Estado. Embora as pesquisas apontem Pacheco como um candidato competitivo, na avaliação do senador, grandes partidos de centro, além de ampliarem o arco eleitoral e a representatividade da chapa, também agregariam mais recursos financeiros e mais tempo de TV.

O senador esperava que o PT e o presidente Lula fizessem esse movimento para abrigar sua candidatura. Como não houve avanço, Pacheco declinou do convite. A crise, segundo interlocutores do ex-presidente do Congresso Nacional, começou quando o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), não impediu a entrada do governador Mateus Simões, principal adversário de Lula e de Pacheco, na legenda. Aliados do senador avaliam que Silveira tinha a obrigação de defender a base eleitoral e as alianças de Lula, mas acabou “entregando o partido aos adversários”.

Havia também a expectativa de que Lula pudesse articular movimentações não apenas para garantir o PSD na base em Minas, por meio de Silveira, mas também para atrair partidos como o MDB.

Nesta sexta-feira (29), Pacheco falou, em São Paulo, sobre o sentimento de “dever cumprido”, confirmando que não será candidato. Embora seja cotado para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), aliados do senador avaliam que o movimento é uma tentativa de Davi Alcolumbre de ter um ex-presidente do Congresso Nacional no tribunal e de honrar a trajetória de Pacheco.

No entanto, fontes próximas ao mineiro avaliam que o senador seja “grande demais” para o TCU e que o posto mais adequado à sua estatura pública seria uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Pacheco não descarta o TCU, mas o plano pessoal do senador é voltar a se dedicar ao seu escritório de advocacia.

Por

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.