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Startup de Montes Claros mergulha na realidade virtual para criar projetos arquitetônicos inovadores

Residente do hub Órbi Conecta, a Haus inovou há seis anos ao ingressar em um mercado ainda pouco explorado

Ramon Andrade teve dificuldades de convencer empresas sobre a aplicação das tecnologias imersivas

Ramon Andrade teve dificuldades de convencer empresas sobre a aplicação das tecnologias imersivas

Divulgação

Dos jogos para a vida, as ferramentas de experiência imersiva já são parte do dia a dia de muitas empresas. Os recursos têm tido aplicações diversas em áreas como serviço, indústria, turismo e até no mercado de entretenimento, como no recente evento The Town, em São Paulo, que proporcionou aos participantes explorar, remotamente, a Maquete de Realidade Aumentada da Cidade da Música para conhecer previamente as atrações.

Mas não era assim há seis anos, quando Ramon Andrade fundou a Haus, empresa mineira residente do Órbi Conecta e especializada em criar experiências imersivas em Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA). Em 2017, a empresa explorou um novo mercado ao desenvolver projetos arquitetônicos imersivos, disruptivos e personalizados para empresas dos setores de construção civil, mineração e siderurgia.

Tudo começou a partir de vivências de Ramon. Em busca de alternativas para se encontrar profissionalmente, ele viajou pelo Brasil e pela América Latina e ingressou no universo acadêmico, mais precisamente no curso de engenharia civil. Em comum, tirou dos dois mundos a lição de que o ensino formal estava muito distante demais de metodologias mais lúdicas, que facilitam o aprendizado, como jogos de videogames, por exemplo. Jogador assíduo, Ramon já se sentia à vontade com a linguagem imersiva dos games e isso o levou a um insight. “Porque não fazer desse recurso mais que uma diversão?”, pensava.

Esse questionamento o fez percorrer o caminho autodidata. Ramon passou a estudar intensamente conteúdos sobre tecnologia. Esse aprendizado o levou a desenhar a empresa, que já guardava algumas ambições. “A ideia surgiu do desafio de construir algo grande, que impactasse positivamente as pessoas e estivesse relacionado à tecnologia”, explica. Ele enxergou a falta de inovação no mercado imobiliário e procurou alternativas para sanar essas dores. O modelo de negócio aplicava recursos de realidade mista - que une a RA e a RV - em projetos. Algo pouco usual em 2017, especialmente em Montes Claros, onde a empresa nasceu e até hoje está sediada.

A proximidade com o Órbi Conecta, principal hub de inovação de Minas Gerais, também foi fundamental para levar a Haus a Belo Horizonte e à região metropolitana, por meio da interação com grandes empresas e profissionais da área de tecnologia.

Como integrante do programa Órbi for Startup residente, a Haus participa das atividades oferecidas pelo hub, como mentorias especializadas, atividades para conexão com o mercado e geração de novos negócios. “Além disso, no Órbi a Haus divulga suas soluções para comunidades de startups de Minas e, com isso, pode se tornar mais conhecida”, explica a CEO do Órbi Conecta, Dany Carvalho. “No Órbi, proporcionamos a conexão entre startups, grandes empresas, fundos de investimentos, academia, investidores e iniciativas que fomentam o empreendedorismo digital e intraempreendorismo. O objetivo é impulsionar a transformação digital em Minas Gerais, formar uma nova geração de startups e empreendedores digitais”, explica.

Hoje, a Haus é uma empresa de tecnologia criativa que desenvolve ambientes imersivos em realidade virtual para o público B2B. Com atuação no Brasil e no exterior, especialmente no mercado de tecnologia e educação corporativa, a startup construiu experiência e portfólio sólidos a partir da prestação de serviços a grandes clientes.

“Através das soluções que desenvolvemos, impactamos diretamente a melhoria dos processos, a gestão e as habilidades dos nossos clientes. Nosso compromisso é fornecer experiências imersivas que transcendam as barreiras físicas, permitindo que as pessoas explorem novos horizontes e alcancem resultados extraordinários”, resume Ramon.

A fonte de receitas da empresa vem, principalmente, da venda e licenciamento dos softwares desenvolvidos. Já os produtos da Haus seguem uma tendência de crescimento no mercado de Realidade Virtual e Realidade Aumentada. De acordo com um estudo realizado pela Mordor Intelligence, o mercado de realidade aumentada deve registrar 83% de taxa de crescimento anual (CAGR) até 2026.

Além disso, um relatório publicado pela consultoria Gartner prevê que 25% das pessoas passem pelo menos uma hora por dia no metaverso para trabalho, compras, educação ou entretenimento nos próximos três anos.

Desafios e soluções

A trajetória da empresa também foi marcada por desafios, que ainda hoje se fazem presentes. Da falta de recursos financeiros para investimento nos equipamentos e softwares de alto custo, passando pela dificuldade em conseguir os primeiros clientes, Ramon destaca que o principal deles foi a resistência inicial das empresas em adotar a tecnologia de realidade virtual em seus treinamentos.

“Muitas organizações estavam acostumadas a métodos tradicionais e eram céticas em relação aos benefícios que a realidade virtual poderia proporcionar. Para superar essa barreira, concentramos nossos esforços em demonstrar os casos de sucesso de outras empresas que já haviam adotado a tecnologia, destacando os ganhos em eficiência, segurança e redução de custos. Além disso, participamos de eventos de demonstração”, lembra.

Outro desafio significativo foi encontrar profissionais capacitados em realidade virtual para integrar o time. “Por ser uma tecnologia inovadora, o mercado ainda não possuía um número suficiente de especialistas com experiência relevante na área. Para contornar essa dificuldade, investimos em programas de treinamento interno para capacitar nossos colaboradores e buscamos parcerias com universidades e instituições de ensino”, conta Ramon.

Parceria também foi a saída encontrada para adquirir os equipamentos, nesse caso com fornecedores de tecnologia e fabricantes. O objetivo foi obter descontos e condições especiais para compra em volume. “Além disso, focamos na otimização de recursos, garantindo que nossos clientes obtivessem o máximo retorno sobre o investimento”, recorda Ramon.

Ramon explica que a trajetória da Haus tem sido premiada com bons resultados, especialmente traduzidos em retorno dos clientes (NPS), vendas (receita de vendas, taxa de conversão, crescimento da base de clientes), compras (parcerias estratégicas, tempo médio de ciclo de compra), time (contratação e retenção de talentos), produto (rentabilidade do produto, satisfação do cliente) e marketing (ROAS). Para quem deseja se aventurar pelo empreendedorismo na área, ele compartilha as principais lições que aprendeu:

Flexibilidade e adaptabilidade: A inovação muitas vezes envolve lidar com o desconhecido e estar disposto a se adaptar rapidamente às mudanças. É importante compreender que nem todas as ideias iniciais serão viáveis ou bem-sucedidas. A capacidade de ajustar o curso é fundamental para o aprimoramento das soluções.

Experimentação e aprendizado com falhas: No caminho da inovação é natural que haja tentativas que não funcionem conforme o esperado. Aprender com os erros e encarar as falhas como oportunidades de aprendizado é crucial para encontrar soluções mais robustas e eficazes.

Escute os clientes e o mercado: A inovação deve ser orientada pelas necessidades reais dos clientes e pelo contexto do mercado.

Cultura de colaboração e diversidade: A inovação geralmente se beneficia de uma cultura organizacional que valoriza a colaboração entre equipes, departamentos e até mesmo parceiros externos. Além disso, a diversidade de experiências, conhecimentos e perspectivas podem enriquecer o processo de inovação, estimulando a criatividade e a resolução de problemas.

Perseverança: A inovação é um processo que pode exigir tempo, esforço e paciência. Perseverar mesmo em momentos de dificuldades é fundamental para alcançar o sucesso na criação de soluções inovadoras.

O Órbi Conecta é o principal hub de inovação e empreendedorismo digital de Minas Gerais, e agora mantém uma coluna publicada semanalmente às terças-feiras no portal da Itatiaia.
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