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O que Xi Jinping previa aconteceu

O impacto da revolta de Trump com a declaração final dos Brics

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

A previsão que presidente da China, Xin Jing Ping parece ter feito virou realidade. O Chinês não compareceu à reunião de Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, e deu justificativa pública para sua ausência, mas o país está no meio de um delicado acordo de 90 dias com os Estados Unidos até que os dois países negociem tarifas razoáveis, após o tarifaço imposto por Donald Trump no iníco do ano.

O americano reagiu mal à declaração final do bloco que, neste domingo (6), condenou o unilateralismo. No documento, sem citar Trump, Estados Unidos ou o tarifaço, o bloco se posicionou sobre ações unilaterais.

“Condenamos a imposição de medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional e reiteramos que tais medidas, na forma de, entre outras, sanções econômicas unilaterais e sanções secundárias, têm implicações negativas de longo alcance para os direitos humanos, incluindo os direitos ao desenvolvimento, à saúde e à segurança alimentar da população em geral dos estados atingidos, afetando de maneira desproporcional os pobres e as pessoas em situações vulneráveis, aprofundando a exclusão digital e exacerbando os desafios ambientais”, diz a carta do Brics.

Logo após a divulgação, Trump ameaçou impor tarifa adicional de 10% para países que exportam para os Estados Unidos, caso essas nações se alinhassem à política do Brics, classificada pelo presidente como ‘anti-americana’.

O governo chinês respondeu às ameaças de Trump. A porta-voz do Ministério do Exterior, Mao Ning, afirmou em entrevista coletiva que o Brics não tem os Estados Unidos como alvo. " (O Brics) defende abertura, inclusão e cooperação ganha-ganha e não tem nenhum país como alvo’, afirmou. Apesar de não ter comparecido à cúpula, o governo chinês concordou com os termos da declaração final do grupo, que é de consenso. O presidente Lula, em entrevista coletiva após o evento, falou em “reciprocidade” para responder a ameaça de hipertaxação Trump.

Lula também falou em uma nova organização mundial com multilateralismo forte e sem o dólar como moeda central nas relações comerciais.

*Este é um texto de análise política

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista de política da Itatiaia e podcaster no “Abrindo o Jogo”. Mestre em ciência política pela UFMG e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México). Na Itatiaia desde 2006, já foi apresentadora e registra no currículo grandes coberturas nacionais, internacionais e exclusivas com autoridades, incluindo vários presidentes da República. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.