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Como o Drex, a nova moeda digital brasileira, mexe com a sua vida e negócios?

Você conhece a nova moeda digital brasileira?

Em 2024, o mercado financeiro vivencia mais uma revolução. Vem aí o Drex, o Real Digital, primeiro passo para a tokenização da economia no Brasil.

Esse foi o tema da palestra do gerente de tecnologias emergentes do Inter, Bruno Grossi, e do engenheiro de blockchain do time de tecnologia do Inter, Bruno Moniz, na 7ª edição do On the Road de Tendências, promovido pelo Órbi Conecta, hub de inovação de Belo Horizonte. Eles explicaram que mudanças o mercado financeiro deve vivenciar e que oportunidades de negócios esse cenário oferece.

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Mercado de biticoins

Antes de abordar, de forma prática, como o Real Digital vai operar, Bruno Moniz remontou ao surgimento do blockchain para explicar como essas mudanças serão possíveis e o que está por trás delas. ‘O Bitcoin nasceu em 2008, nos Estados Unidos, na ocasião do estouro da bolha imobiliária, quando houve queda de confiança nos bancos e queima massiva de valor no sistema financeiro. Satoshi Nakamoto criou o Bitcoin em 31 de outubro de 2008, quando publicou o whitepaper que descreve a arquitetura e os princípios fundamentais do Bitcoin, apresentando a ideia de uma moeda digital descentralizada baseada em tecnologia blockchain’, explica.

Nessa ocasião, houve a primeira Exchange (troca), com um valor bem em conta. Com apenas um dólar, era possível comprar 1.309 bitcoins. ‘Era uma transação bem arcaica. Você mandava um e-mail pro cara falando quantos bitcoins você queria comprar, ele enviava um link do PayPal e você pagava aquele link ali com a esperança de que algum dia chegassem os bitcoins em sua carteira’, lembra.

Em 2013, surgiram derivações do bitcoin, sendo a mais famosa o Dogecoin, uma cópia do bitcoin com algumas alterações do código, o que tornou a moeda mais ágil em transações por segundo.

Dois anos depois um marco representou uma revolução nesse mercado, com o lançamento da Ethereum, uma máquina virtual distribuída que executava diversos códigos e contratos inteligentes, os chamados smart contracts. A Ethereum permitiu construir outros produtos na blockchain, indo além da transação de unidades de bitcoin.

Desde então, o mercado de bitcoins evoluiu, chegando, em 2018, a atingir 1 trilhão de dólares e com seu ápice em 2022, com 2,9 trilhões de dólares. ‘Existe muita volatilidade. Estamos falando de uma tecnologia muito emergente e a mudança de paradigma é muito grande’, pondera.

Tecnologia blockchain

A blockchain é a aplicação de uma DLT (Distributed Ledger Technology) para um sistema confiável e seguro de transações financeiras. Uma espécie de livro-caixa distribuído, que oferece algumas vantagens. A primeira é a descentralização, o que permite a remoção de um ponto único de falha. ‘Se vários validadores da Ethereum tiverem algum erro no seu computador, isso não vai fazer com que a rede pare de funcionar’, esclarece.

Outro ponto é a imutabilidade. Se uma informação está gravada na blockchain ela não pode ser alterada, o que evita violação. ‘Se eu enviei um bitcoin e eu não queria ter mandado, o único jeito daquele bitcoin voltar para a minha carteira é se a pessoa que eu enviei me mandar de volta. Não tem como eu ligar lá para o suporte do bitcoin e pedir para eles me ajudarem nessa transferência que eu fiz de errado’.

Além disso, a blockchain é marcada pela validação e transparência. Ela possui total transparência de dados e pode ser validada por qualquer participante. ‘Se eu souber qual é a carteira de uma pessoa, eu consigo saber todo o passado dela e ver tudo que ele investiu’, explica. Ela também se destaca pela desintermediação. Não há uma autoridade central na blockchain. Toda mudança na Etherium, no código do Bitcoin e em outras blockchains não é autoritária, mas discutida de forma aberta. Também há ausência de envio duplo, o que evita conflito nas transações. ‘Não tem como você gastar um bitcoin duas vezes’.

Para que uma transação seja concluída, são necessários rigorosos processos de validação na blockchain. Se a transação for realizada no celular, onde há uma carteira instalada, por exemplo, ela é assinada digitalmente e roteada para todos os usuários daquela blockchain. Quando a transação é validada, o usuário recebe a confirmação de que ela foi, de fato, executada. Todo esse processo demora, em média, 10 minutos.

Drex e o sistema financeiro

Antes de entender como o Drex vai operar no Brasil é preciso entender alguns conceitos. O Sistema Financeiro Nacional é um conjunto de instituições, regulamentos e instrumentos que facilitam a transferência de recursos. Ele está registrado na Constituição Federal e permite a captação de recursos, a realização de investimentos, a concessão de créditos e a realização de pagamentos.

Tudo isso regulado pelo Conselho Monetário Nacional, órgão responsável por formular a política da moeda e do crédito, visando à estabilidade da própria moeda e o desenvolvimento econômico e social do país. Algumas entidades atuam como supervisoras do Sistema Financeiro Nacional, como o Banco Central, a Comissão de Valores Imobiliários e a Superintendência de Seguros Privados, responsáveis por regular e fiscalizar. Bancos, corretoras e financeiras são entidades operadoras desse mercado, atuando na intermediação financeira.

Nesse cenário, o Drex nasce da ideia de criar uma CBDC (Central Bank Digital Currency), definição criada pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) em 2016. A proposta é utilizar o mecanismo DLT e blockchain para emitir moedas reguladas pelo governo e trazer todos os benefícios desse universo para um ambiente regulado, dos sistemas financeiros nacionais, o que é chamado de Central Bank Digital Course.

O Brasil hoje é referência de CBDC, com a maioria dos projetos focados em transferência instantânea de dinheiro, como o PIX. Trata-se de plataforma inteligente e programável que permita usos mais complexos que vão além da transferência de dinheiro. Mas esse não é um movimento apenas do Banco Central do Brasil, mas uma corrida mundial para integrar esses sistemas.

Isso porque cada país tem um sistema diferente, desenvolvido em uma década diferente, com tecnologias e linguagens diferentes. A ideia do CBC é, com isso, definir uma tecnologia única para fazer todas essas operações por meio de arquitetura descentralizada de baixo custo e operável com outros países.

Nesse cenário, o DREX é uma nova licença tecnológica que deve padronizar, modernizar e simplificar as transações financeiras. ‘De imediato, não haverá muito impacto na vida das pessoas, mas apenas entre bancos e financeiras, que terão que integrar esses sistemas. Mas a longo prazo, haverá uma oferta de investimentos que não existem hoje. Além disso, teremos mais integração com o mundo real, criando uma economia tokenizada’, explica.

O Drex utiliza a Hyperledger Basel, tecnologia multiativa que, além do Real, permite a transferência de títulos públicos pelo Pix, por exemplo. Tudo isso tendo o Banco Central e a Selic como validadoras, além de cópias de todas as transações disponibilizadas aos participantes.

‘Hoje em dia você pode comprar o título do tesouro em seu banco ou no Tesouro Direto. Mas você não consegue vendê-lo para o seu vizinho justamente por que não existe uma ferramenta disponível para essa finalidade. No pilot do DREX a gente consegue fazer isso. Uma pessoa física vendendo para outra pessoa. Eu deposito o dinheiro de um lado e a outra pessoa deposita o título dela de outro. Após a conferência de valores, o smart contract envia o título para o comprador e o dinheiro para o vendedor’, esclarece.

Ainda em fase de teste, o recurso guarda alguns desafios. Um deles é a escalabilidade de acesso, o que viabilizaria a redução do custo para todos. ‘A gente precisa entregar essa tecnologia blockchain de baixo custo para ser acessível a qualquer tamanho de solução, com escalabilidade e mantendo a estabilidade do sistema’, destaca.

Outro desafio é a privacidade. ‘O Banco Central está estudando soluções de Zero Knowledge Proof para garantir tanto a transparência, com autoria das transações, quanto o sigilo bancário, mantendo a privacidade’.

O movimento para implantação do Drex abre espaço para a futura economia tokenizada, que se difere de recursos disponíveis hoje. O Pix então é uma solução centralizada e funciona como de pagamento. O DeFi é uma tecnologia totalmente descentralizada, que serve como meio de pagamento, 100% descentralizada e governada por algoritmos. No meio disso, o Drex traz essa infraestrutura descentralizada, de multiativos, soberana e governada pelo Banco Central.

‘Mesmo que o Banco Central não faça parte dessa rede descentralizada, ainda assim ele governa esse processo. Ele sabe que mesmo que ele se desligue da rede temporariamente, ninguém vai burlar ou fraudar o sistema. Tudo vai continuar rodando da mesma forma entre os bancos’, explica.

A economia tokenizada transforma produtos do mundo real em ativos. Carros, móveis, ações e obras de arte podem se tornar tokens e essa transferência desse bem acontecer dentro de uma blockchain, reduzindo custos e aumentando a agilidade na transferência. ‘Imagine se o título de propriedade do seu imóvel estiver dentro de uma blockchain. Você é dono dela enquanto você tem aquele bem na sua carteira, por exemplo. Se você quer vender esse bem, recebe o dinheiro de outra pessoa e manda o título. Não precisa ir ao cartório e ser submetido a diversos processos burocráticos para provar isso’, exemplifica.

A economia tokenizada traz algumas vantagens. ‘Os tokens digitais podem ser fracionados. Então você pode ter, por exemplo, imóveis vendidos de uma forma parcial. Pequenas empresas podem ser vendidas e ter parte do seu capital social como um token. Se um pequeno agricultor quiser fazer de um trator um investimento, ele pode tokenizá-lo e vendê-lo fracionado para várias pessoas’, explica.

Esse processo oferece inclusão financeira, além da criação de novos produtos. ‘As seguradoras, por exemplo, podem automatizar o pagamento de sinistro na blockchain, gerando mais transparência no pagamento. Elas também podem criar o seguro de boi no pasto, que não existe hoje. Se você tem um prédio, pode tokenizá-lo, fracionar esses imóveis e permitir que mais pessoas tenham acesso a ele’, diz. O DREX, portanto, abre várias possibilidades e a economia tokenizada já é uma realidade para mais uma revolução financeira. ‘O melhor jeito de viver o futuro é inventá-lo’.

Banco Inter

O Inter nasceu Intermedium Financeira, em Belo Horizonte, no ano de 1994. Desde então, a companhia despontou como pioneira ao lançar serviços digitais inovadores que hoje estão presentes no dia a dia de clientes pessoa jurídica e pessoa física em todo o sistema bancário brasileiro. Por estar à frente de transformações profundamente disruptivas, que foram adotadas posteriormente por demais empresas do segmento, o banco se tornou referência em tendências e segue adotando a inovação como norte para ajustar a rota do crescimento.

Com cerca de 30 milhões de cliente, o Inter conquistou marcos importantes, como o 1º lugar no ranking Melhores Serviços de 2022 promovido pelo jornal Estadão, premiado como o banco mais centrado no cliente pela The Global Economics Awards, detentor do Prêmio Melhores para o Brasil, eleito o 2º lugar no ranking de Melhor Experiência do Cliente na categoria Bancos Digitais pelo Prêmio 100 Melhores Empresas 2022 e Prêmio iBest 2022.

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O Órbi Conecta é o principal hub de inovação e empreendedorismo digital de Minas Gerais, e agora mantém uma coluna publicada semanalmente às terças-feiras no portal da Itatiaia.
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