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Quem ainda morre por covid-19 no Brasil?

Nova onda tem provocado preocupação e intensificado recomendação de retorno de medidas sanitárias

Vacina é uma das principais medidas contra a doença

Mais uma onda de covid-19 e muitas recomendações de volta do uso de máscara. Entre os motivos para a alta de infecções pela doença estão a baixa adesão ao reforço vacinal e as novas subvariantes da cepa Ômicron. “O que sabemos é que elas infectam mais”, diz Ludhmila Hajjar, intensivista do Hospital Vila Nova Star, em entrevista ao Estadão.

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Médicos ouvidos pelo veículo apontam que a maioria dos internados com a doença são idosos, pacientes imunossuprimidos e indivíduos com a vacinação atrasada. A infectologista Raquel Stucchi lembra que idosos e imunocomprometidos já completaram a vacinação com quatro e cinco doses há algum tempo. “Seria urgente ter um planejamento para outra dose adicional, que preferencialmente deveria ser feita com a vacina bivalente.”

Nos EUA, o cenário é semelhante: em agosto deste ano, aqueles que optaram por não receber nenhuma dose da vacina contra a covid-19 e tinham 50 anos ou mais apresentavam risco de morte 12 vezes maior pela doença do aqueles que tomara as doses de reforço. Além disso, vacinados com esquema primário e uma dose de reforço tinham risco de morte três vezes maior do que os que tinham duas doses de reforço.

A vacina bivalente é fabricada pela Pfizer e eficiente contra várias cepas, como BA.1, BA.4 e BA.5 da Ômicron. Enquanto EUA e alguns países europeus já começaram a aplicá-la, ainda não há previsão de chegada da fórmula ao Brasil embora a Pfizer tenha solicitado o uso emergencial do medicamente à Anvisa em outubro.

A quinta dose do imunizante já está disponível em algumas cidades brasileiras para adultos com alto grau de imunossupressão. Em Belo Horizonte, por exemplo, ela foi liberada para aqueles que têm a partir de 18 anos. Para recebê-la, eles devem ter tomado a última vacina de reforço há, pelo menos, 4 meses.

Idosos ainda são os que mais morrem

Apesar de a incidência de óbitos ser bem menor do que no auge da pandemia, a doença ainda mata em todo o mundo. No Brasil, nesta quarta-feira (23) a média móvel diária de mortes é de 65, calculada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). O grupo mais atingido é o de pessoas com mais de 65 anos, ou seja, os idosos. Em outras faixas etárias, a vacinação e a imunização natural fizeram os óbitos caírem.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é uma das complicações causadas por vírus respiratórios que pode levar os pacientes aos hospitais. Do início de 2022 até os primeiros dias de novembro, foram identificados 464 mil casos de SRAG no país e 198 mil deles foram provocados por covid-19.

Em mortes, a covid-19 foi oficialmente responsável por 55 mil. Entre elas, 45,7 mil ocorreram entre aqueles com 60 anos ou mais. A faixa etária mais afetada é a de 80 a 89 anos, com mais de 15 mil mortes.

A análise dos casos de SRAG não permite estimar quantos pacientes com comorbidades morreram por covid-19 este ano no Brasil, mas especialistas alertam que esse ainda é um fator de risco para a doença. Dados da prefeitura de São Paulo apontam quais comorbidades são mais associadas a óbitos por covid-19:

  • cardiopatia;

  • diabetes;

  • obesidade;

  • doença neurológica;

  • doença renal;

  • pneumopatia;

  • imunodepressão;

  • asma;

  • doença hepática;

  • doença hematológica.

Embora haja mais casos de morte entre idosos, a covid-19 mata em todas as faixas etárias no Brasil e mais do que os outros vírus respiratórios. Em bebês e crianças de até 5 anos, por exemplo, houve 477 mortes oficiais por SRAG associada a covid-19 entre o início de 2022 e os primeiros dias de novembro. No mesmo período, a gripe provocou 32 óbitos.