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Guarda morre no Arrudas: mulher que perdeu a perna ao também cair no rio pede aumento de muretas

No ano passado, Marcely Diniz, de 27 anos, sofreu um acidente igual ao que matou a guarda municipal Stephanie Regina Santos Quintão, de 28; ambas estavam na garupa de uma moto que se chocou contra a mureta de proteção do Arrudas e foram lançadas no rio

Marcely Diniz (à direita), de 27 anos, lamentou a morte de Stephanie Quintão, de 28

A guarda municipal Stephanie Regina Santos Quintão, de 28 anos, morreu nesta quinta-feira (11), após sofrer um acidente de trânsito e cair no Rio Arrudas, no Centro de Belo Horizonte. Ela estava na garupa de uma moto, pilotada por outra agente, que bateu na mureta de proteção do rio. Com a queda, a jovem teve fraturas expostas e uma hemorragia interna. Ela foi socorrida, mas não resistiu.

A notícia da morte da guarda abalou emocionalmente uma outra jovem: Marcely Diniz, de 27 anos. Ao ler sobre o que aconteceu com Stephanie, a assistente administrativo relembrou do seu próprio acidente. Ela teve a perna amputada após a moto em que estava bater e ela também cair no Rio Arrudas, em dezembro do ano passado.

“Na hora que eu vi a reportagem [sobre Stephanie] eu lembrei do meu acidente. Chorei o dia inteiro. Lembrei do quão doloroso foi para a minha família. Eu perdi a perna, mas essa moça perdeu a vida. Isso mexeu muito comigo porque poderia ter sido eu”, afirma à Itatiaia.

Ao compartilhar a sua própria história nas redes sociais, Marcely recebeu uma enxurrada de mensagens de familiares de vítimas que já caíram dentro do rio.

A Itatiaia questionou a Prefeitura de Belo Horizonte se há algum plano para aumentar as muretas e barras de proteção ao longo do Rio Arrudas, e aguarda resposta.

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O acidente

Marcely Diniz caiu no Rio Arrudas em dezembro de 2023

Marcely estava na garupa da moto do ex-namorado quando eles se chocaram contra a mureta de proteção do Rio Arrudas. Os dois acabaram caindo dentro do rio, a uma altura de cerca de 15 metros. Ela conta que havia ido para o Baile da Serra com um casal de amigos, quando decidiram ir embora, por volta das cinco da manhã.

“A minha moto estava um pouco mais acelerada e a moto desse amigo nosso estava um pouco mais devagar. Como nós não estávamos conseguindo localizar eles, meu ex-companheiro, que estava pilotando a moto, olhou para trás para tentar encontrá-los. Quando ele olhou para frente, nós já estávamos na curva da avenida dos Andradas. Ele não conseguiu fazer a curva e nós batemos na mureta do Rio Arrudas. Com impacto, a moto nos arremessou para cima e caímos no rio”, explica.

Assim que caiu, Marcely tentou ajudar o ex-namorado. Ela puxou ele para a margem, mas com o esforço acabou piorando a própria situação. Ela relembra que chegou a desmaiar de dor.

“Quando eu fiz a força, senti dor pela primeira vez. Eu senti algo raspando no fundo do rio e quando olhei era o meu osso. Ele se quebrou ainda mais pela força que eu fiz. Nesse momento de desespero eu desmaiei. Passaram-se 15, 20 minutos e o Samu e os bombeiros chegaram para nos retirar de dentro do rio”, conta.

A amputação

A assistente administrativo diz que assim que viu o estado da perna já imaginou que iria perdê-la.

Médicos tentaram salvar a perna de Marcely, mas membro teve que ser amputado

Assim que foi resgatada, Marcely foi encaminhada ao Hospital João XXIII, onde ficou internada por dois meses. Durante esse tempo, a jovem passou por seis cirurgias e enfrentou diversas complicações, incluindo duas paradas cardiorrespiratórias. “Os médicos tentaram de tudo para salvar a minha perna, mas não teve jeito”.

O ex-namorado de Marcely, que também caiu no Rio Arrudas, ficou ferido e passou por cirurgia. Ele ainda usa uma gaiola na perna e segue em tratamento. Porém, os dois não estão mais juntos. “Ele terminou comigo depois da amputação, ficou com vergonha”, comenta.

Prótese custa 75 mil

Agora, seis meses depois do acidente, a assistente administrativo conta que busca juntar dinheiro para conseguir uma prótese.

“Para mim está sendo muito difícil. Eu moro sozinha, tenho que fazer tudo sozinha, limpar casa, arrumar tudo. Eu sinto bastante incômodo, não posso trabalhar mais. Estou afastada do meu emprego e recebendo um salário mínimo. Meu salário caiu 70%. Também tive que parar de fazer minha pós-graduação. Agora, eu tento ter força para conseguir juntar o valor da prótese, que custa 75 mil, mas a vaquinha anda fraca, ainda faltam 43 mil”.

Para quem quiser ajudar, a vaquinha para a prótese da jovem está neste link.


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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.