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Família de motorista de reboque morto por delegado em BH pede indenização e pensão

Anderson Cândido foi morto a tiros por Rafael Horácio após confusão no trânsito, em julho de 2022; família passa dificuldades financeiras e está prestes a ser despejada, diz advogado

Anderson tinha 48 anos e morreu após confusão no trânsito

A morte do motorista de reboque Anderson Cândido completa um ano nesta quarta-feira (26). O reboquista foi atingido por um disparo efetuado pelo delegado da Polícia Civil, Rafael Horácio, após uma confusão de trânsito na Avenida do Contorno, na região Central de Belo Horizonte.

O policial, preso desde o dia 30 de julho de 2022, responde na Justiça por homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima). O caso vai a júri popular, mas ainda não há uma data definida para o julgamento do caso.

Além da saudade, a família tem sentido dificuldades financeiras, já que o reboquista era arrimo de família. Por isso, eles entraram na Justiça com um pedido de indenização e também pensão, já que o delegado estava em serviço no momento do crime. Rafael Nobre, advogado assistente de acusação, fala que a família está prestes a ser despejada.

“A família tem passado maus bocados financeiramente. Eles estão prestes a serem despejados, não conseguiram se restabelecer com a falta do Anderson. Foi ajuizada uma ação na 4ª Vara de Fazenda Estadual pedindo uma indenização de R$ 1 milhão e uma pensão.”

Rafael explica que o Judiciário definiu, em janeiro, o pagamento de um valor mensal de R$ 6,4 mil. Porém, desde então, o Estado de Minas Gerais não fez o pagamento de nenhuma parcela. A viúva do reboquista, Maria Regina de Jesus, fala sobre as dificuldades enfrentadas e pede que as autoridades ajudem a família.

“Eu não sei para onde que a gente vai recorrer. Eu só sei que eu peço muito a Deus. Inclusive eu queria pedir ao governador Zema que olhasse por nós. A gente não tem quem nos socorrer e é um funcionário dele que matou meu marido. Tirou um pai de família que estava ali trazendo sustento para nós.”

O caminhão de reboque que Anderson dirigia no momento em que foi morto, e chegou a ficar muito tempo parado no pátio aguardando a perícia, está no quintal da casa da família. Por não terem condições de usarem, o veículo está se deteriorando aos poucos.

Outro lado

A defesa de Rafael Horácio alega que o delegado entendeu que o caminhoneiro ia jogar o veículo para cima dele. No momento em que o caminhão teria dado um tranco, o delegado efetuou disparo em um “ato reflexivo de legítima defesa”. O advogado de Rafael Horácio, Fernando Magalhães, lamenta o caso e afirma que as duas famílias tiveram perdas.

“Um evento trágico e lamentável. Duas famílias que perderam entes queridos. Anderson veio a óbito e o Dr. Rafael, recluso e afastado dos seus, tem também uma perda de vida. Sem falar que emocionalmente, absurdamente arrasado com a situação. Nós lamentamos e levamos aqui a voz do doutor Rafael, que, com certeza não queria esse fim trágico. Agiu dentro da sua consciência no momento em que acreditava que estava protegendo a si e a toda uma sociedade. Não é hora de valorar ou deixar de valorar erros ou acertos. É hora de dizer à família do Anderson que Deus os proteja. Dizer que, se estão aptos a receber qualquer sorte de indenização do Estado, que seja muito bem recebida e muito bem agraciados com isso. Possam minimamente viver com dignidade e que Deus conforte a todos. E dentro da Justiça, que seja colhido o resultado mais próximo do ideal. A vida não se volta, lamenta-se os atos.”

Por meio de nota, o Estado de Minas Gerais, por meio da Advocacia Geral do Estado e da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, informou que o pagamento dessa pensão terá início no contracheque de julho deste ano. O crédito está previsto para agosto deste ano, ou seja, para o mês que vem.

Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.