As informações da investigação da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro levantaram dados que detalharam o estilo de vida perdulário do empresário. Informações obtidas pela Itatiaia em e-mails que ele trocava com um consultor financeiro elencam, por exemplo, os custos de uma festa organizada pelo banqueiro na Sicília, Sul da Itália, com centenas de milhões de reais distribuídos para a
A festa na cidade siciliana de Taormina foi organizada durante cinco dias em setembro de 2023 e está minuciosamente detalhada nos e-mails interceptados pela PF na Operação Compliance, que levou Vorcaro à cadeia pela segunda vez na última quarta-feira (4).
Os artistas contratados chamam a atenção pela atração principal: a banda britânica Coldplay. O grupo que lota estádios ao redor do mundo se apresentou no evento de Vorcaro pela bagatela de USD 11,5 milhões (quase R$ 60 milhões na cotação atual).
A festa ainda contou com shows do cantor canadense Michael Bublé, contratado por USD 2 milhões; o tenor italiano Andrea Bocelli, cuja apresentação custou USD 981 mil; e o músico britânico Seal e o DJ francês David Guetta, cada um contratado por USD 937 mil.
A opulência não parou nas atrações musicais. Para hospedar os convidados, Vorcaro fechou hotéis tradicionais da região famosa pelos cenários paradisíacos com vista para o mar jônico, braço do mediterrâneo entre a Itália e a Grécia.
A hospedagem custou USD 1,7 milhão nos hotéis Four Seasons San Domenico Palace. Mais USD 1 milhão foi gasto no Hotel Belmond Grand Timeo, e mesmo valor foi depositado na conta do Hotel Belmond Villa Sant’Andrea. O staff técnico e a equipe de produção da festa custou USD 351 mil em estadia.
Para sediar os eventos, Vorcaro gastou USD 1 milhão para o a locação do Teatro Greco. O adiantamento de orçamento para o desenvolvimento técnico, coordenação de staff e produção técnica (som, luz, decoração) teve uma estimativa geral de EUR 11,7 milhões.
Os convidados da festa receberam ainda 40 necessaires personalizadas, com um investimento total de quase USD 20 mil. O kit de recebimento contava com produtos de higiene e cuidados pessoais de alto padrão; chinelos customizados; e carregadores portáteis.
Entre os custos relacionados aos convidados, há ainda a contratação de um desenhista para elaborar e ilustrar o guia de vestimenta para os participantes da festa.
Nova prisão de Vorcaro
Vorcaro foi
Ele
O Banco Master foi
A trajetória do banco nesta década envolveu aportes bilionários em empresas com pouca capacidade econômica de dar retornos financeiros aos investimentos. Investigação da
Reportagem publicada na Revista Piauí de outubro de 2024, mostrou que o patrimônio líquido do Master quintuplicou em cinco anos, saindo de R$ 219 mihões para R$ 5 bilhões. O sucesso foi inflado pela emissão de Certificados de Depósitos Bancários
O aumento baseado na emissão de CDBs cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para pessoas físicas — o que é um indicativo de baixa liquidez — chamou a atenção do mercado financeiro e do Banco Central e colocaram o Master no radar das instituições reguladoras.
Em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB) anunciou o interesse em comprar 58% do capital do Master por cerca de R$ 2 bilhões. A operação foi investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e passou pelo crivo do Banco Central.
Em setembro, após mais de cinco meses de análise, o Banco Central decidiu reprovar a transação. A medida foi justificada pelos riscos considerados excessivos para a transação devido à diferença nos ativos detidos pelas duas instituições.
Entre o anúncio do interesse do BRB e a decisão do Banco Central em barrar a negociação com o Master, houve entre analistas do mercado financeiro uma percepção de que a transação se caracterizava como uma operação de resgate de um banco privado em situação de iminente insolvência financeira por uma empresa estatal.
Uma nova transação foi anunciada na véspera do caos vivido pelo banco nesta terça-feira. Na segunda (17), a Fictor Holding Financeira anunciou que injetaria R$ 3 bilhões no Master. A operação seria feita por um consórcio que contava ainda com investidores dos Emirados Árabes Unidos.
A operação, embora anunciada e celebrada por ambas as partes envolvidas na transação, ainda estava sujeita à aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).