Preso
O casal ficou junto por 11 anos e segundo a vítima, o militar disse que daria “mais de 30 tiros” e que o caso viraria “estampa de jornal”. Ele também teria ameaçado interromper o casamento da irmã da vítima e tirar a própria vida depois de matá-la.
O documento também aponta que o suspeito trancava a mulher dentro de casa e misturava medicamentos em sucos para deixá-la sedada, dificultando que ela mantivesse contato com a família. Em um dos episódios, a vítima precisou de atendimento no Hospital da Polícia Militar (HPM), em Belo Horizonte, mas, por medo, inicialmente não contou que havia sido agredida.
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, o capitão também teria colocado um rastreador GPS no carro da vítima, clonado o celular dela e passado a monitorar as mensagens, chegando a responder contatos como se fosse a própria vítima.
Em depoimento, a mulher relatou ainda que foi obrigada a retirar o DIU (Dispositivo Intrauterino) e levada pelo ex-marido a uma clínica de fertilização contra a própria vontade. Para evitar uma gravidez forçada, ela contou que passou a tomar anticoncepcional escondido durante o trabalho.
O capitão da Polícia Militar já possui registros anteriores, incluindo violência psicológica em 2025 e perturbação da tranquilidade em 2021, segundo os registros policiais.
O que diz a PM?
Em nota, a PM confirmou a prisão do policial, nessa sexta-feira (6), após denúncias de violência doméstica. A prisão foi efetuada em ação conjunta da Corregedoria, do Serviço de Inteligência, da Diretoria de Operações (DOP), do 16⁰ e 65º Batalhões de Polícia Militar e pela 1ª CIA PM Independente de Prevenção à Violência Doméstica.
“No dia 04/03/26, a vítima procurou o quartel da PM em Santa Maria do Suaçuí, relatando sofrer violência doméstica por parte do seu ex-companheiro. Imediatamente, foi confeccionado o registro da ocorrência policial e orientações para medidas protetivas de urgência”, diz a nota.
A PMMG também iniciou operação preventiva, reforçando o policiamento na região de Santa Maria do Suaçuí, em especial com patrulhamento intenso na residência da família da vítima. No dia 06/03/26, data da prisão, o Juízo da 2ª Vara Criminal e Violência Doméstica da Comarca de Santa Luzia expediu mandado de prisão preventiva contra o policial militar, tendo em vista o risco iminente à vida da vítima. A ordem judicial foi cumprida de imediato pela corporação. O policial militar encontra-se à disposição da Justiça”, destaca o texto, que reforça ainda: “A Polícia Militar de Minas Gerais reafirma seu compromisso com a legalidade, transparência e proteção à mulher”.