Belo Horizonte
Itatiaia

Caso Gisele: testemunha diz que tenente não tentou reanimar a policial 'em nenhum momento'

Ocorrência da morte de Gisele, inicialmente tratada como suicídio, evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual

Por
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto • Foto: Reprodução | Redes Sociais

Em audiências sobre a morte da cabo Gisele Alves Santana, de 32 anos, em São Paulo, o capitão da Polícia Militar Rafael Gustavo de Aguiar afirmou ter estranhado o fato de o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa — réu pelo feminicídio da esposa — não ter tentado realizar manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) nela. De acordo com o capitão, Geraldo estava tranquilo e não fez "em nenhum momento" a manobra de emergência após a cabo ser encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central da capital paulista, em 18 de fevereiro.

Além do capitão Rafael, prestaram depoimento nas audiências o cabo Adalberto Fernandes Lima, o soldado Santos e Silvam e o pai de Gisele, José Simonal Teles de Santana. Para José, a morte da filha jamais poderia ser considerada suicídio. “Jamais minha filha se matou. Isso eu tenho certeza", disse o pai durante as oitivas.

O cabo Adalberto reforçou que o tenente-coronel estava muito calmo no momento em que os agentes chegaram ao local. "O que nos chama atenção era a calma com que ele relatava os fatos, e qualquer familiar que presencie um fato como esse fica muito agitado", declarou o policial.

Segundo a 5ª Vara do Júri da Capital, as audiências se iniciaram na última segunda-feira (29 de julho) e, no total, 30 pessoas foram ouvidas, entre familiares e a filha da vítima. Ainda de acordo com a justiça, o interrogatório do réu, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto — antes marcado para esta sexta-feira (3 de agosto) — foi designado para o dia 28 de agosto, às 10 horas.

A ocorrência da morte de Gisele, inicialmente tratada como suicídio, evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual. De acordo com o Ministério Público (MP), após o crime, o oficial teria tentado simular um suicídio ao posicionar a arma na mão da vítima e alterar a cena do crime para induzir a investigação a erro.

Laudos periciais apontam inconsistências na versão apresentada pela defesa. As investigações identificaram vestígios de sangue nas roupas do acusado e indícios de que ele teria tomado banho após o crime para eliminar provas. Para o Ministério Público, o homicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também afirma que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa, circunstância que qualifica o crime.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.

Leia mais

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.