STJ rejeita pedido de liberdade do tenente-coronel acusado de matar esposa
Defesa alegou "conflito de jurisdição" e ressaltou que a condução do processo contrariaria precedentes do STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou um pedido de liberdade feito pela defesa do tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a sua esposa Gisele Alves Santana, que era soldado da PM. No pedido, a defesa do oficial alegou "conflito de jurisdição" e ressaltou que a condução do processo contrariaria precedentes do STJ.
Na decisão proferida nessa sexta-feira (20), o ministro Reynaldo Soares da Fonseca afirmou que a reclamação não pode usada para questionar o decreto de prisão proferido pela Justiça de São Paulo e negou qualquer tipo de conflito.
‘Não houve nenhum provimento emanado desta corte superior, no processo em tela, que pudesse vir a ser descumprido pelas instâncias ordinárias. Tem-se, portanto, manifesta a ausência de descumprimento de decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, o que inviabiliza, portanto, o conhecimento da presente reclamação", argumentou o ministro.
Na última quarta-feira (18), o tenente-coronel foi preso após ser indiciado por feminicídio e fraude processual. O oficial foi alvo de mandados de prisão proferidos pela justiça comum e pela justiça militar.
A vítima, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento que vivia com o oficial, no bairro do Brás, região central de São Paulo.
Inicialmente, a morte de Gisele Santana foi registrada como suicídio. No entanto, familiares desconfiaram da versão apresentada pelo tenente-coronel de que a militar havia dado um tiro contra a própria cabeça. A família denunciou um histórico de ciúme exagerado por parte do tenente-coronel e afirmou que a militar era vítima de um relacionamento abusivo com oficial.
Contradições, alegação de fraude processual e provas técnicas
A investigação aponta que o tenente-coronel matou a esposa com uma arma de fogo e alterou a cena do crime para simular um suicídio.
Segundo relatório da Polícia Civil e denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), há um conjunto consistente de elementos que afastam completamente a hipótese de suicídio.
Entre os pontos centrais estão contradições do tenente-coronel, indícios de manipulação da cena do crime e sinais claros de violência anterior à morte.
"A morte de Gisele é, sob a perspectiva pericial, tecnicamente incompatível com o suicídio e plenamente compatível com a dinâmica de um crime de feminicídio praticado por terceiro presente no apartamento no momento do disparo, que subsequentemente adulterou a cena, reposicionou o corpo e eliminou vestígios através da higienização corporal deliberada", escreveu o delegado Lucas de Souza Lopes, que presidiu o inquérito, no pedido de prisão preventiva.
A defesa do tenente-coronel insiste na tese de suicídio
A defesa do tenente-coronel afirma que Gisele tirou a própria vida e contesta a condução do caso. Os advogados alegam conflito entre decisões judiciais e classificam a investigação como inconsistente.
O suspeito também nega qualquer agressão e sustenta que está sendo alvo de julgamento público antecipado.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.

