O que é GLO? Termo foi destaque nas discussões sobre megaoperação contra CV, no Rio

Após ação com 64 mortos, governador Cláudio Castro cobrou ajuda federal e reacendeu discussão sobre o uso das Forças Armadas em operações

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O termo GLO, sigla para Garantia da Lei e da Ordem, voltou ao centro do debate político após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, nessa terça-feira (28), que deixou 64 mortos, entre eles quatro policiais.

A ação, considerada a mais letal da história do estado, provocou uma troca de acusações entre o governo do Rio e o governo federal.

O governador Cláudio Castro (PL) afirmou que estava “sozinho” no enfrentamento ao crime e que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se recusa a decretar uma GLO.

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Já o Palácio do Planalto respondeu que nunca recebeu um pedido formal de Garantia da Lei e da Ordem e reforçou que as Forças Armadas só podem atuar mediante decreto presidencial.

GLO - Garantia da Lei e da Ordem

A Garantia da Lei e da Ordem é uma operação prevista na Constituição e regulamentada pela Lei Complementar nº 97. Ela autoriza o emprego das Forças Armadas — Exército, Marinha e Aeronáutica — em ações de segurança pública em situações excepcionais, quando há esgotamento das forças policiais locais.

Nessas situações, os militares passam a ter poder de polícia, de forma temporária e restrita, com o objetivo de restabelecer a ordem pública e proteger pessoas e patrimônios.

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A lei determina que a GLO só pode ser decretada pelo presidente da República, a pedido de um governador ou por iniciativa própria, caso o governo federal reconheça que os recursos disponíveis no estado são insuficientes.

O decreto presidencial define a duração da operação, as áreas de atuação e as regras de engajamento das tropas.

Por que o termo voltou a ser discutido nessa terça?

O governador Cláudio Castro afirmou que o governo federal negou três pedidos de empréstimo de blindados das Forças Armadas para operações policiais no estado, sob o argumento de que isso só seria possível com uma GLO.

“Para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente é contra a GLO”, disse Castro.

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O Ministério da Defesa confirmou que recebeu um ofício do governo do Rio em Janeiro, mas explicou que o pedido só poderia ser atendido com decreto presidencial, o que não ocorreu.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, rebateu afirmando que nenhum pedido formal de GLO foi feito. “A responsabilidade é, sim, do governador”, disse o ministro.

Depois da repercussão, Castro amenizou o tom das críticas e afirmou que foi mal interpretado.

Saiba o que diz a lei

A Lei Complementar nº 97 estabelece que a GLO só pode ser decretada após esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública.

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Durante a operação, a autoridade militar responsável assume o controle operacional das forças de segurança envolvidas.

Isso significa que, enquanto durar a GLO, as polícias estaduais ficam sob o comando das Forças Armadas — Exército, Marinha ou Aeronáutica — conforme determinado no decreto presidencial.

(Sob supervisão de Aline Campolina)

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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