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Após operação mais letal do Rio, pesquisador vê risco de novos ataques do Comando Vermelho

Pesquisador em Segurança Pública Jorge Tassi afirma que o Comando Vermelho pode reagir à operação mais letal da história do Rio de Janeiro, que deixou 64 mortos no estado

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Após operação mais letal do Rio, pesquisador vê risco de novos ataques do Comando Vermelho
Moradores do Complexo da Penha levaram mais de 50 corpos para a Praça São Lucas após a operação mais letal da história do RJ. • Foto: Itatiaia | Raull Santiago | Arquivo pessoal

A megaoperação realizada no Rio de Janeiro, considerada a mais letal da história do estado, com 64 mortos confirmados oficialmente, ainda gera repercussões e dúvidas sobre seus desdobramentos. Em entrevista à Itatiaia, nesta quarta-feira (29), o advogado e pesquisador em Segurança Pública Jorge Tassi avaliou os possíveis impactos da ação e alertou para o risco de retaliação por parte do Comando Vermelho (CV) e de outras organizações criminosas.

“Uma organização criminosa como o Comando Vermelho trabalha com duas lógicas: operações financeiras e operações de violência. Quando é afrontada ou tem sua posição questionada, tende a revidar, e provavelmente no mesmo nível”, começou explicando o pesquisador.

Na noite dessa terça-feira (28), seis corpos foram encontrados em uma área de mata, ainda não contabilizados oficialmente entre os 64 mortos, número que pode aumentar. A operação, que ocorreu nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, teve como alvo lideranças da facção do CV. Até o momento, o balanço aponta 64 mortos, entre eles quatro policiais, além de 81 presos e cerca de 15 agentes feridos.

Planejamento da operação ainda será avaliado

Sobre a possibilidade de erros de planejamento, Tassi destacou ser cedo para conclusões. Ele lembrou que o Ministério Público do Rio de Janeiro participou da operação desde o início e que haverá uma análise técnica sobre o grau de eficiência e eventual abuso de autoridade.

“São 64 mortes, e cada uma precisa ser analisada individualmente. As circunstâncias variam, e é preciso entender o que ocorreu em cada caso”, afirmou.“Certamente, entre as vítimas, há pessoas da comunidade que não estavam envolvidas com o crime”, acrescentou.

Divergências entre governos

Tassi também comentou a falta de integração entre o governo federal e o governo do Rio de Janeiro durante a megaoperação. Questionado sobre as declarações do governador e do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ele reconheceu falhas de comunicação, mas ponderou que disputas políticas podem ter influenciado a situação.

“As comunicações existem, mas a integração entre as esferas ainda é um desafio. Esse ponto certamente será discutido nas próximas semanas”, observou.O pesquisador ressaltou que ainda é preciso avaliar o quanto a cooperação entre os governos poderia ter mudado o resultado da operação.

“Agora o processo está aberto para análise da sociedade. Certamente várias páginas serão mostradas que ainda não conhecemos”, afirmou.

Debate sobre propostas no Congresso

O advogado e pesquisador também comentou as propostas em discussão no Congresso Nacional sobre o combate ao crime organizado. Para ele, algumas medidas são positivas, mas outras extrapolam competências e transformam questões técnicas em disputas políticas.

“A PEC da Segurança Pública traz ideias interessantes, mas há pontos que invadem a autonomia dos estados. Além disso, estamos tratando como constitucionais assuntos que poderiam ser resolvidos por leis infraconstitucionais”, explicou.

Clima de tensão e medidas preventivas

Com o Rio de Janeiro em clima de apreensão, Tassi reforçou a importância de manter ações preventivas em todo o país. Segundo ele, o Comando Vermelho tem presença internacional, e possíveis retaliações não se limitam ao território fluminense.

“A operação pode ter terminado nas comunidades, mas a prevenção deve continuar. As polícias de outros estados precisam manter a cautela. O crime organizado é supranacional”, alertou. Para o professor, a normalidade deve retornar gradualmente, mas monitorar presídios e áreas vulneráveis será essencial para evitar novos episódios de violência.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.