'Muro do Bope': entenda estratégia usada durante megaoperação contra o CV no Rio
Autoridades consideram operação um 'sucesso'; moradores denunciam abuso de autoridade

Durante a megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos, a principal estratégia usada, segundo o secretário de Polícia Militar Marcelo Menezes, foi criar um “muro do Bope”, (Batalhão de Operações Especiais), na área de mata anexa ao Complexo da Penha e do Alemão.
“Essa ação criou o que chamamos de 'muro do Bope', uma linha de contenção formada por policiais que empurravam os criminosos para o topo da montanha", declarou durante uma coletiva.
“Nosso foco era causar o menor dano e o menor transtorno possível. Por isso, a operação foi concentrada em área de mata, onde os criminosos se escondem e reagem aos policiais”, disse o delegado Felipe Curi, da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A ação, que contou 2,5 mil policiais civis e militares, começou na manhã de terça-feira (28), e durou quase 12 horas. Até o fim do dia, o número oficial era de 64 mortes. Na manhã desta quarta-feira, moradores da Penha localizaram e retiraram outros 60 corpos da área de mata. Os corpos foram reunidos na Praça São Lucas, no centro da comunidade.
A pedido dos familiares, os corpos foram expostos para identificação e registro da imprensa e, depois, foram cobertos com lençóis. Outras seis vítimas foram encontradas por moradores no Complexo do Alemão foram levadas para o Hospital Getúlio Vargas durante a noite de terça, totalizando mais de 120 mortes.
O que dizem as autoridades?
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, afirmou em coletiva nesta quarta-feira (29) que as únicas vítimas da operação mais letal do estado são os quatro policiais mortos durante a ação. Segundo Castro, o crime organizado é o maior problema do Brasil. Ele classificou a operação como “o início de um grande trabalho, de longo prazo, em que todos trabalharam juntos por um Rio de Janeiro e um Brasil melhores”.
O governador classificou a operação como “um sucesso” e afirmou “que não pretende transformar o episódio em uma batalha política”.
"O Rio de Janeiro tem quase 1/4 de sua população morando em favelas, enquanto o percentual no Brasil é de 8,1%. São 9 milhões de metros quadrados de desordem na Penha e no Alemão. Uma investigação de aproximadamente um ano, que envolveu as polícias do Rio e de vários estados, principalmente do Pará”, destacou o secretário.
O que dizem os moradores ?
A moradora Nathália Rodrigues de Jesus, grávida, contou à Itatiaia que estava em casa com crianças quando os policiais chegaram. Segundo ela, houve agressões e uso de spray de pimenta.
Nathalia junto com Sarah, outra moradora da região, relataram ainda que familiares foram acusados injustamente de envolvimento com o tráfico.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.





