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Delegado diz que operação mais letal do Rio foi o maior golpe ao Comando Vermelho

Delegado da Polícia Civil, Felipe Curi confirma 119 mortos, sendo 115 criminosos, e afirma que os quatro policiais mortos são as únicas vítimas da ação

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Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, após a megaoperação mais letal da história do Estado.
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 50 corpos para a Praça São Lucas, após a megaoperação mais letal da história do Estado.  • Foto: EGBERTO RAS/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

O delegado Felipe Curi, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, afirmou nesta quarta-feira (29) que a operação mais letal do Rio de Janeiro foi “o maior golpe já sofrido pelo Comando Vermelho”. O balanço oficial aponta 119 mortos, sendo 115 traficantes e quatro policiais. Durante entrevista coletiva, Curi destacou que a ação foi planejada para causar o menor impacto possível aos moradores e classificou a operação como um marco no combate ao crime organizado.

“Podem chamar até a Nasa, mas ninguém vai conseguir fazer o que nós fazemos. Lamento muito pelos quatro grandes heróis mortos, mas não posso deixar de ressaltar que foi o maior baque que o Comando Vermelho já sofreu”, afirmou.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação resultou na expedição de 180 mandados de busca e apreensão, 70 mandados de prisão no Rio e 30 no Pará. Durante a operação, dez adolescentes foram apreendidos e 118 armas foram confiscadas, entre elas, 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver e 14 explosivos.

O delegado explicou que o planejamento incluiu ações em áreas de mata, para reduzir riscos à população.

“Nosso foco era causar o menor dano e o menor transtorno possível. Por isso, a operação foi concentrada em área de mata, onde os criminosos se escondem e reagem aos policiais”, disse. Curi também reforçou que, segundo as investigações, as únicas vítimas da operação foram os policiais.

“Hoje em dia, todo mundo é tratado como vítima, o ladrão, o traficante. Mas aqui não tem isso. A polícia é o herói. Essa facção está presente em quase todos os estados do Brasil”, declarou. O secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, afirmou que a letalidade era previsível, mas não desejável. Ele destacou que a operação foi resultado de um ano de planejamento com participação de policiais de outros estados, principalmente do Pará.

“Essa alta letalidade era previsível, mas não desejável. Todo o trabalho foi feito para cumprir mandados de prisão e enfraquecer o crime organizado”, disse o secretário. Victor Santos lamentou a morte dos quatro policiais e reforçou que a operação foi um sucesso no enfrentamento ao Comando Vermelho.

“Perdemos quatro heróis que saíram de casa para proteger pessoas inocentes. Mas o trabalho mostrou a força das nossas forças de segurança”, completou.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.