Delegado confirma 119 mortos em operação mais letal do Rio; 115 seriam traficantes e quatro policiais
Delegado Felipe Curi afirma que ação foi planejada para reduzir danos à população e classifica operação como o maior golpe já sofrido pelo Comando Vermelho

O delegado Felipe Curi, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, confirmou nesta quarta-feira (29) que 119 pessoas morreram durante a operação mais letal do estado, que aconteceu nessa terça-feira (28). Segundo ele, 115 mortos eram traficantes e quatro, policiais. Durante a coletiva, Curi informou também que 113 criminosos do Rio foram presos, além de 33 de outros estados. Todos com envolvimento na facção criminosa do Comando Vermelho (CV).
De acordo com a Polícia Civil, até o fim de setembro deste ano, 449 integrantes do Comando Vermelho foram presos. Durante a operação dez adolescentes também foram apreendidos.
Em relação ao armamento usado pelos criminosos, o balanço da polícia confirmou a apreensão de 118 armas, sendo 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver e 14 explosivos. O delegado ressaltou ainda que milhares de munições e centenas de carregadores ainda serão contabilizados.
Segundo Curi, a investigação resultou na expedição de 180 mandados de busca e apreensão e 70 mandados de prisão no Rio, além de 30 mandados de prisão para traficantes do Pará. O delegado destacou que a operação contra os chamados “narcoterroristas” foi amplamente planejada.
“Nosso foco era causar o menor efeito colateral possível, o menor dano e o menor transtorno para os moradores da comunidade. Por isso, fizemos o planejamento para que a operação ocorresse na área de mata”, explicou. Curi também comentou sobre a repercussão da operação:
“Podem chamar até a Nasa, mas ninguém vai conseguir fazer o que nós fazemos. Lamento muito e vou sentir muito. Nunca vou me esquecer deste dia em que tivemos quatro grandes heróis mortos. Mas não posso deixar de ressaltar que foi o maior baque que o Comando Vermelho já sofreu. Nunca houve uma ação que causasse uma perda tão grande, tanto em armas quanto em drogas e lideranças”, afirmou. O delegado reforçou que as únicas vítimas da operação são os policiais.
“Hoje em dia, todo mundo é vítima: o ladrão é vítima da sociedade, o traficante passou a ser vítima do usuário... Ontem, o filho do chefe da facção disse que, por trás de um fuzil, existe uma pessoa. E a polícia tem sido tratada como vilã. Aqui, não tem isso. A polícia é o herói. Essa facção está presente em quase todos os estados do Brasil”, destacou. De acordo com Curi, a operação aconteceu no coração do Comando Vermelho.
“Essa alta letalidade era previsível, mas não desejável. Todo o trabalho da polícia foi feito para cumprir os mandados de prisão. Essa foi a maior operação da história do Rio de Janeiro, que hoje tem 29% da população morando em favelas, enquanto a média nacional é de 8,1%”, declarou. Segundo o secretário, a operação foi planejada durante um ano e contou com a participação de policiais de outros estados, principalmente do Pará.
“Lamentavelmente, perdemos quatro heróis, quatro policiais que saíram de casa para proteger as pessoas inocentes que vivem nessas regiões”, concluiu.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



