MPF aponta falha em controle da Vale e pede novo bloqueio de R$ 200 milhões após extravasamentos

Ação cautelar do Ministério Público Federal é por conta dos danos causados pelo extravasamento na Mina de Viga, em Congonhas

MPF aponta falha em controle da Vale e pede novo bloqueio de R$ 200 milhões após extravasamentos

O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta terça-feira (3) um bloqueio de R$ 200 milhões das contas da Vale por conta do extravasamento que ocorreu na Mina de Viga, em Congonhas, na Região Central de Minas Gerais.

Segundo o MPF, o extravasamento de água e sedimentos atingiu cursos de água que alimentam o Rio Paraopeba, causou assoreamento de córregos e danificou a vegetação.

O órgão analisou que a ocorrência revelou uma “falha no controle da operação de estruturas de contenção de efluentes” da Mina de Viga.

O MPF também apontou que a Vale não comunicou imediatamente o extravasamento às autoridades competentes, o que dificulta a resposta da Defesa Civil.

Pedido de medidas de segurança

Além do bloqueio de valores, o MPF solicitou a suspensão da venda ou transferência dos direitos minerários da empresa no local e requereu que a mineradora adote uma série de medidas de segurança, como:

  • Contratação da auditoria técnica independente para acompanhar as obras necessárias para garantir a segurança das cavas e dos reservatórios;
  • Apresentação de um relatório completo sobre a situação de estruturas semelhantes em todas as suas minas no estado de Minas Gerais;
  • Realização de uma análise química detalhada do material vazado.

A Itatiaia entrou em contato com a Vale, caso a empresa queira se posicionar sobre a manifestação do Ministério Público Federal. O espaço segue aberto.

Segunda ação cautelar do MPF contra a Vale

Nessa quinta-feira (30), o Ministério Público Federal pediu o bloqueio de R$ 1 bilhão de contas da Vale por conta dos danos ambientais causados pelo extravasamento na Mina de Fábrica, em Ouro Preto.

Horas depois, um segundo extravasamento de água com sedimentos foi registrado na Mina de Viga, localizada entre a Plataforma e o Esmeril, em Congonhas.

Ambos os incidentes aconteceram exatos sete anos após o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH.

O desastre, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, deixou 270 mortos, ou 272, se contadas as vítimas que estavam grávidas. O caso segue impactando profundamente a vida de famílias e cidades atingidas, que ainda cobram justiça, responsabilização criminal e avanços concretos na reparação.

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Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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