Líder comunitário fez vídeo de casa que desabou e matou mulher no RJ: ‘Vai cair na cabeça da gente’

Vídeos gravados antes do colapso mostram infiltrações e rachaduras na casa que desabou e matou uma mulher de 40 anos, além de deixar uma criança soterrada na Zona Norte do Rio

Líder comunitário fez vídeo de casa que desabou e matou mulher no RJ: ‘Vai cair na cabeça da gente’

Um líder comunitário e moradores da região da antiga favela do Metrô, no bairro Maracanã, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde uma casa geminada de quatro andares desabou, matou uma mulher de 40 anos e deixou uma criança de 7, soterrada sob os escombros, haviam denunciado a situação do local há pelo menos seis meses. Um vídeo gravado pelo líder comunitário flagrou como eram as condições do local antes do desabamento.

Em entrevista à Itatiaia, Tacito Simões Ventura, que morava no térreo da casa, revelou que ouviu estalos nas paredes momentos antes de parte do imóvel desabar. Ele contou que há mais de 15 anos denunciam a situação à Prefeitura do Rio. Porém, nada foi feito pelo poder público. Os vídeos da casa foram gravados em julho de 2025.

Tácito contou sobre o desespero quando ouviu os estalos do imóvel, segundos antes de desabar. Ainda segundo o líder comunitário, ele voltou ao local para chamar Michele, e as filhas, entre elas Ághatha Valentina, que ficou presa após os pavimentos caírem, mas a menina voltou para dentro do imóvel e tudo desabou.

“Assim que passou a chuva, só deu tempo de tomar banho e deitar. Passou pouco tempo, a gente só ouvia os estalos e eu corri para a parte da frente. Nisso, a parede da sala abriu um buraco”, explicou ele, ao dizer que chamou os pais e o irmão para fora da casa.

Segundo Tácito, Michele tinha quatro filhos. Ágatha e Júlia ficaram feridas no desabamento. O morador relembrou a última vez que a prefeitura foi até o local.

“A prefeitura esteve aqui em julho, com a secretária municipal de Habitação. Quando eles vieram e começaram a fazer um levantamento, a gente avisou a prefeitura. Eles tiraram fotos e a gente falou o que estava acontecendo. A gente deixou bem claro para eles, só que não fomos ouvidos”, lamentou ele, que está desalojado por conta do desabamento.

A Defesa Civil ainda interditou 12 casas no entorno devido à situação de risco. Tácito morava com o marido, os pais e o irmão. Segundo ele, a família não tem para onde ir.

“Não tenho para onde ir. Um apartamento mais barato, de dois quartos, para minha família toda morar junto, está R$ 3.000. Então, de onde tiro R$ 3.000 todo mês? Agora estou desalojado, um monte de famílias desalojadas e uma família de luto por conta do descaso do poder público”, acrescentou.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.

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