A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga se a mulher de 31 anos
O companheiro da vítima, de 43 anos, foi preso nessa segunda-feira (15), durante o velório dela. A PC aguarda exames complementares, incluindo a confirmação do DNA do sangue encontrado no imóve onde o casal morava e a análise das imagens do circuito interno do prédio.
O início das investigações
As investigações começaram após a polícia receber imagens registradas na praça de pedágio em Itaúna. O vídeo mostra o suspeito no banco do passageiro, acionando o freio e o acelerador do carro, enquanto a vítima estava no banco do motorista “totalmente inconsciente” e sem qualquer reação.
“Nesse momento, foi possível verificar que o autor estava no banco do passageiro e a vítima, totalmente inconsciente no banco do motorista, completamente inerte, sem qualquer movimento, o que indica que ela não tinha consciência”, disse o delegado João Marcos Ferreira.
A partir disso, equipes da PC passaram a monitorar o suspeito de forma ininterrupta durante o velório. Diante das evidências reunidas, ele foi abordado e recebeu voz de prisão em flagrante. A PC já representou à Justiça pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.
Homem confessa agressão no carro
Durante depoimento, o homem confessou que agrediu a companheira durante o trajeto de Belo Horizonte até Itaúna. Em determinado momento, a vítima conduzia o veículo quando foi agredida por ele. Em seguida, ela parou o carro no acostamento e começaram as agressões mútuas. Nessa ocasião, ele teria empurrado a mulher, batido a cabeça dela com força contra o veículo e pressionado o pescoço pelo lado direito”, relatou o delegado.
Segundo João Marcos, o suspeito chegou a demonstrar com as mãos como teria comprimido o pescoço da vítima. “Ele indicou exatamente o local onde teria pressionado, o que é compatível com os achados médico-legais posteriores da segunda necropsia”, completou.
A polícia também identificou diversas marcas de unhas da vítima no braço direito e no rosto do suspeito. “Ele confirmou que essas marcas foram feitas pela vítima e afirmou que só teria parado as agressões no momento em que ela desfaleceu”, explicou o delegado.
Briga teria começado em apartamento de BH
O homem também confessou que houve uma discussão anterior no apartamento em Belo Horizonte. Segundo ele, durante a briga, teria atingido o nariz da vítima “para se proteger”, causando sangramento.
“Ele afirmou, no apartamento em Belo Horizonte, teve uma discussão com ela e, como forma, segundo ele, de se proteger, acertou o nariz da vítima, momento em que houve sangramento pelas narinas, que respingou no chão da sala”, disse o delegado João Marcos.
A Polícia Civil informou que já tem acesso às imagens do prédio onde o casal morava, mas que, até o momento, ainda não foi possível confirmar se a vítima deixou o apartamento consciente.
Acidente de trânsito forjado
O homem tentou negar a autoria da morte, alegando que, após recobrar a consciência, a vítima teria jogado o carro contra um micro-ônibus. Contudo, a versão foi descartada pela Polícia Civil.
Isso porque, segundo o delegado, uma testemunha, que estava no micro-ônibus atingido, contou que, ao se aproximar da vítima, ela já estava “gelada”.
“Essa testemunha afirmou que a vítima estava com sangue estancado e seco nas narinas, o que não seria compatível com uma morte causada pelo acidente. Ela estava com a boca arroxeada, cerrada, e com o lado esquerdo totalmente roxo, não com características de pancada, mas como se tivesse ficado apoiada ali após a morte. Isso gerou estranheza”, afirmou o delegado.
O motorista do micro-ônibus também relatou à polícia que viu o automóvel em zigue-zague antes de o veículo bater no coletivo.
Relacionamento conturbado
Segundo a PC, o relacionamento do casal, que vivia junto há cerca de sete meses, era descrito como “extremamente conturbado” e marcado por agressões frequentes.
“Era um relacionamento extremamente conturbado, com relatos de agressões, inclusive episódios graves provocados por ele. Era algo corriqueiro”, concluiu o delegado, que acredita que, por medo, a mulher não procurou a polícia para registrar as ocorrências.