'Perdi minha amiga', diz pai de mulher trans assassinada na Savassi, em BH
Alice Martins Alves, de 33 anos, morreu nesse domingo (9). Em outubro, ela foi atacada por três homens quando saía de uma lanchonete na capital mineira

Eles estavam esperando ela, esses três caras. Quebraram o nariz, várias costelas. Parece que o indivíduo ainda pisou nas pernas dela, ficou tudo roxo
Crime de ódio
A Polícia Civil busca imagens de câmeras de segurança que possam ter registrado o crime. Segundo o pai, ela não conhecia os suspeitos. “O indivíduo chamou ela de ‘traveco’ e disse ‘vou te matar’. Um batia e os outros dois riam”, contou Edson, que acredita se tratar de um crime motivado por ódio e transfobia.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que o caso será investigado pelo Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Até o momento, ninguém foi preso.
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Linha do tempo da agressão
Após a agressão, Alice foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas, segundo o pai, nenhuma viatura policial acompanhou o atendimento.
Mesmo machucada, Alice foi liberada e voltou para casa em um carro de aplicativo, sem encaminhamento para a UPA ou hospital particular, embora tivesse plano de saúde. “Ela não quis me avisar porque eu tenho problema de pressão. Acordei umas 2h30, 3h da manhã e fui ver se ela tinha chegado. Quando abri a porta, ela disse: ‘Pai, olha o que fizeram comigo’”, contou Edson, lembrando o susto ao ver a filha com tantas escoriações.
Nos dias seguintes, o quadro clínico de Alice se agravou rapidamente. Ela perdeu entre 12 e 13 quilos em duas semanas, apresentava vômitos constantes e dificuldade para se alimentar.
“Levei no hospital, fizeram tomografia, mas ela continuava vomitando. Depois disseram que ela teve perfuração no duodeno”, afirmou.
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'Perdi a minha amiga'
“Perdi a minha amiga, minha companheira. A gente assistia filme junto, bebia uma cervejinha dentro de casa. Ela sempre dizia: ‘Pai, eu te amo’. Agora eu estou sem ela”, lamentou.
Brasil é o país que mais mata pessoas trans
O Brasil é, pelo 17º ano consecutivo, o país que mais mata pessoas trans no mundo. Em 2024, 105 pessoas trans foram assassinadas no país, segundo o relatório Dossiê: Registro Nacional de Mortes de Pessoas Trans no Brasil em 2024 – Da Expectativa de Morte a um Olhar para a Presença Viva de Estudantes Trans na Educação Básica Brasileira, da Rede Trans Brasil.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.




