Uma estudante de Belo Horizonte entrou na Justiça Federal contra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) após não ter a nota do
A denunciante é Júlia Gabriela Xavier de Oliveira, de 20 anos, que planeja cursar Medicina. Em entrevista à Itatiaia, ela contou que o problema começou após ela passar mal na semana da prova.
Júlia foi internada para tratar um quadro de úlceras herpéticas no esôfago e perdeu a aplicação regular do Enem, que ocorreu nos dias 9 e 16 de novembro. Ela, então, solicitou ao Inep para participar da reaplicação.
No entanto, o órgão negou o pedido inicialmente. Dois dias antes do certame, a estudante obteve na Justiça o direito de realizar em 16 e 17 de dezembro o Enem para Pessoas Privadas de Liberdade (PPL).
A jovem relata que o Inep enviou o local da prova às 12h33, faltando 27 minutos para o fechamento dos portões. Ela só chegou a tempo porque foi informada por terceiros de que o exame seria realizado no Centro de Belo Horizonte. Quando recebeu o endereço oficial, dirigiu-se para lá e conseguiu entrar.
Problemas durante a reaplicação
A estudante conta que não havia prova para ela no primeiro dia da reaplicação. Os aplicadores ofereceram-lhe a prova de uma pessoa que faltou e fizeram um gabarito escrito à mão.
No entanto, todos os inscritos compareceram no segundo dia de prova. A organização precisou solicitar um exame adicional pelos Correios, e Júlia esperou cerca de duas horas para começar o exame.
“Nisso, até falei: ‘Posso avisar o meu pai?’. Ele não deixou e falou que eu tinha que ficar lá na sala com os outros participantes, porque já estava na hora do sigilo. Fiquei lá esperando a minha prova chegar. A minha prova foi chegar por volta das 15h10. Eu fiquei lá sentada esperando a minha prova chegar”, disse.
Estudante não recebeu nota
As notas do Enem de 2025 foram divulgadas em 16 de dezembro. Quando Júlia foi conferir o resultado, deparou-se com o aviso de que esteve ausente na prova. “É como se eu não tivesse ido. Estava zerado”, afirmou.
A estudante entrou novamente na Justiça, e o juiz intimou o Inep a resolver o problema em até 72 horas. Na noite do dia 19, Júlia recebeu um segundo retorno: somente as notas do primeiro dia de prova haviam sido disponibilizadas.
Até esta segunda-feira (2), a situação ainda não havia sido resolvida. A jovem perdeu o prazo de inscrição nos processos seletivos do
As inscrições para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) abrem nesta terça-feira (3) e se encerram na sexta-feira (6).
“O juiz já intimou o Inep. Já falou que vai ter que pagar multa. E o Inep, simplesmente, não dá nem sinal de vida. Não responde nem os e-mails da questão judicial”, afirmou.
“Foi um período de muita ansiedade por causa de tudo que eles fizeram. Eu achei que já tinha passado tudo de ruim e agora veio isso. Depois de tudo que eu fiz para fazer a prova, nem saiu a minha nota. Então, eu fiquei muito chateada mesmo com o Inep. Achei eles muito desorganizados”, acrescentou.
‘Persistente omissão administrativa’, diz advogada
O caso está na 15ª Vara Cível da Justiça Federal em Belo Horizonte. No último movimento do processo, o Ministério Público Federal (MPF) foi intimado a emitir um parecer sobre o ocorrido.
Em nota enviada à Itatiaia, Anne Caroline Xavier, advogada da estudante, chamou o caso de “persistente omissão administrativa” e reforçou que o Inep não se manifestou nos autos.
Nota do Inep
Procurado pela Itatiaia, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira afirmou que está ciente do processo e disse que toma as ‘providências possíveis de acordo com a decisão judicial’. Abaixo, confira o posicionamento do órgão na íntegra:
“O Inep informa que tomou ciência da ação judicial e vem adotando todas as providências possíveis de acordo com a decisão judicial exarada, em estrita observância aos ritos legais. Os detalhes do caso estão sendo tratados no âmbito do próprio processo”.