Itatiaia

Defesa de policial investigado por forjar provas em BH contesta vídeo e pede liberdade

Advogado de Rodrigo Otávio contestou vídeos vazados da operação, defendeu a legalidade da busca na casa de conselheiro tutelar e cobrou o mesmo tratamento dado aos acusados

Por e 
Policial suspeito de forjar provas em operação se entrega e defesa alega irregularidade em vídeos
Policial suspeito de forjar provas em operação se entrega e defesa alega irregularidade em vídeos • Imagens cedidas

A defesa de Rodrigo Otávio Andrade, policial suspeito de participar de uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) que é investigada por supostas provas forjadas, se posicionou neste sábado (19) após ele se entregar. Em entrevista à Itatiaia, o advogado Lúcio Adolfo afirmou que o vídeo divulgado da operação não é legítimo e apontou como desnecessária a prisão dos três policiais envolvidos. 

O advogado apontou que não é possível saber a origem da gravação nem se o registro foi editado. Ele também questionou a legalidade do pedido de busca, “quando os policiais foram àquela casa, eles foram munidos de um mandado de prisão e um mandado judicial. Havia uma autorização judicial determinando que eles fizessem uma busca e apreensão naquela residência”.

“Não vejo ilegalidade na busca e apreensão. Por quê? Porque um delegado pediu a busca e apreensão, e o juiz, depois de ouvir o Ministério Público, determinou a expedição do alvará para a realização da medida” acrescentou.

Adolfo também diz acreditar na culpabilidade de pai e filho. Segundo ele, a partir do momento que foi encontrada uma arma dentro da casa, é possível que a droga também estivesse lá: “Por que será que eles estavam sendo investigados? Por que um juiz determinou a expedição de um mandado de busca e apreensão na casa deles? Por que eles tinham uma arma.”

“Parece-me que há uma acusação de envolvimento dessas pessoas com o tráfico de drogas ou com a criminalidade, inclusive mencionam o apelido de um moço chamado "Ratinho". Agora, a pergunta é exatamente essa: por que uma pessoa é investigada se não há nada de errado e ela é certinha?” acrescentou Lúcio.

O posicionamento de Lúcio é de que seu cliente e os outros dois policiais são inocentes e, assim como pai e filho, merecem ser ouvidos. “Eu gostaria que fosse concedido aos policiais — à Ana Luiza, ao Rafael e ao Rodrigo — o mesmo princípio: o da presunção de inocência, até que se investigue e se faça uma perícia nesses vídeos.” 

Como prova da inocência dos detetives, Lúcio afirma possuir o vídeo completo gravado pelos policiais durante a apreensão, em que eles agiram “de forma educada e cortês”. Mas que não divulgaria à imprensa, pois há uma questão de sigilo processual.

O advogado pediu ao Judiciário a revogação da prisão ou uma conversão em medida alternativa, como o uso de tornozeleira eletrônica ou prisão domiciliar. Após o pedido ser indeferido, o advogado apresentou Rodrigo à Corregedoria de Justiça.

“Fui buscar o juiz para tentar a revogação da prisão ou a transformação em uma medida alternativa. Quando foi indeferida, mantive o que já havia me comprometido e dizia a quem me ouvisse: se houvesse a revogação, eu apresentaria o Rodrigo; e se não houvesse, eu também o apresentaria.”, disse em entrevista à reportagem.

 

Entenda o caso

A Corregedoria-Geral de Polícia Civil deflagrou nessa segunda-feira (14) uma operação contra três policiais – Rodrigo Otávio Andrade, Rafael Egg Macedo e Ana Luiza Guimarães – suspeitos de forjar provas durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na Pampulha. De acordo com fontes ouvidas pela Itatiaia, uma barra de maconha teria sido “plantada” na casa de um conselheiro tutelar em uma operação realizada em 7 de agosto.

O conselheiro tutelar, identificado como Bruno, e o filho dele, Matheus, foram presos em flagrante sob a suspeita de tráfico de drogas. Eles foram soltos pela Justiça nessa quinta-feira (17).

O mandado de busca e apreensão contra pai e filho determinou que os agentes filmassem a ação. A partir das imagens, a defesa passou a sustentar que a barra de maconha poderia ter sido levada pelos próprios agentes e plantada dentro da casa. Segundo o advogado criminalista Nathan Nunes, em entrevista à Itatiaia, as gravações da operação mostram um dos policiais entrando no imóvel com um volume escondido na região da perna.

O Policial Civil Rafael Egg Macedo foi preso na última segunda-feira (14). A agente Ana Luiza Guimarães Carvalho se apresentou à Casa de Custódia da Polícia Civil nessa sexta-feira (18). Já Rodrigo Otávio Andrade, se apresentou neste sábado (19), acompanhado pelo advogado Lúcio Adolfo.

Por

Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.

Por

Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

Por

Jornalista em formação pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Integra a equipe da Itatiaia desde 2024 com foco na editoria Minas Gerais.

 

 

Belo Horizonte