Itatiaia

Tudo que se sabe sobre pai e filho presos em operação com suspeita de droga 'plantada' em BH

Pai e filho ficaram 45 dias presos após serem alvos de uma operação da Polícia Civil; defesa denúncia que tablete de maconha foi 'plantado' na casa por policiais e suspeitos passam a responder em libverdade

Por e 
Assistir vídeo: CORREGEDORIA DA POLÍCIA CIVIL PRENDE AGENTE SUSPEITO DE FORJAR PROVAS EM BELO HORIZONTE

Pai e filho que estavam presos preventivamente há cerca de 45 dias por suspeita de tráfico de drogas foram soltos pela Justiça nesta quinta-feira (17). Os dois foram detidos durante uma operação da Polícia Civil realizada em 7 de agosto, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.

A operação passou a ser investigada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil após surgir a suspeita de que uma barra de maconha encontrada no imóvel teria sido colocada no local pelos próprios policiais. Um dos agentes investigados está preso e outros dois são procurados.

A Justiça, ao determinar a soltura dos dois homens, apontou dúvidas sobre a forma como a droga foi encontrada. 

Confira a seguir:

  1. O que aconteceu na operação?
  2. Por que surgiu a suspeita de que a droga foi ‘plantada’?
  3. O que aparece nas imagens?
  4. O que a defesa de pai e filho diz?
  5. Por que a Justiça mandou soltar os dois?
  6. E os policiais investigados?
  7. O que diz a defesa do policial preso?
  8. O que diz a Polícia Civil?
  9. O irmão do conselheiro também foi detido?
  10. O que acontece agora?
  11. Mãe diz ter perdido 22 kg durante os 45 dias de prisão

O que aconteceu na operação?

A ação ocorreu em 7 de agosto, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um imóvel na região da Pampulha.

Os alvos eram um conselheiro tutelar, identificado como Bruno, e o filho dele, Mateus. Durante a operação, os dois foram presos em flagrante sob suspeita de tráfico de drogas.

Segundo as informações, os policiais encontraram no imóvel uma arma de fogo, uma pistola calibre 9 mm, munições e uma barra de maconha.

A defesa sustentou que a arma realmente estava na residência, mas questiona a origem da droga.

Por que surgiu a suspeita de que a droga foi ‘plantada’?

O mandado de busca e apreensão determinava que a diligência fosse filmada integralmente.

Segundo a defesa, as imagens entregues no curso da investigação apresentam diversos cortes. O advogado Nathan Nunes afirma ainda que o vídeo mostra um dos policiais entrando no imóvel com um volume escondido na região da perna.

A partir das imagens, a defesa passou a sustentar que a barra de maconha poderia ter sido levada pelos próprios agentes e colocada dentro da casa.

A suspeita passou a ser investigada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

O que aparece nas imagens?

Imagens mostrando como barra de maconha foi suspostamente levada por policial • Imagens cedidas
Imagens mostrando como barra de maconha foi suspostamente levada por policial • Imagens cedidas

Segundo a defesa, um dos pontos considerados relevantes no vídeo é a movimentação dos policiais no cômodo onde posteriormente a droga foi localizada.

O advogado afirma que, em um primeiro momento, o quarto foi revistado e nenhum material ilícito teria sido encontrado, além da arma que já era mencionada no contexto da operação.

Ainda de acordo com a defesa, duas testemunhas que acompanhavam a busca deixaram o cômodo e foram para outro espaço da casa. Nesse momento, apenas um dos policiais teria permanecido no local.

Depois, o agente teria informado que havia encontrado o material ilícito.

A defesa afirma que esse conjunto de circunstâncias levanta dúvidas sobre a origem da droga. A interpretação das imagens, porém, faz parte da investigação em andamento.

O que a defesa de pai e filho diz?

O advogado Nathan Nunes afirma que houve uma série de irregularidades durante o cumprimento do mandado.

Entre os pontos citados estão os cortes no vídeo, apesar da determinação judicial para que a diligência fosse registrada integralmente, e a ausência das testemunhas no momento em que a droga foi localizada.

Após a divulgação das imagens e o surgimento de novos elementos no inquérito, a defesa pediu a revogação da prisão preventiva.

Com a decisão desta quinta-feira, pai e filho deixaram o Ceresp Gameleira, na região Oeste de Belo Horizonte.

O advogado afirmou que o próprio Ministério Público concordou com a soltura.

Em entrevista à Itatiaia Nathan explicou que a operação tem como base um mandado de busca e apreensão deferido com base em um relatório de investigação feito pela Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (DENARC).

Segundo ele, o relatório é superficial e não apresenta razoes claras para a suspeita de tráfico de drogas na residência do cliente

Por que a Justiça mandou soltar os dois?

A decisão foi assinada pela juíza Fernanda Chaves Carreira Machado, da 1ª Vara de Garantias da Comarca de Belo Horizonte.

A magistrada considerou que os elementos relacionados à ocorrência sob investigação levantam dúvidas sobre o encontro da droga.

A decisão não declarou que a apreensão foi forjada e também não representa uma absolvição dos dois homens. O ponto analisado foi a manutenção da prisão preventiva diante das dúvidas surgidas no curso da investigação.

A defesa destacou justamente esse aspecto ao afirmar que as investigações continuam.

E os policiais investigados?

Três policiais civis são investigados pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil por suspeita de forjar provas durante o cumprimento do mandado.

Um deles foi preso preventivamente. A prisão foi mantida após audiência de custódia realizada na terça-feira (15).

Os outros dois policiais investigados ainda são procurados.

A audiência de custódia analisou se o mandado de prisão havia sido cumprido corretamente e se os direitos do policial haviam sido respeitados. Depois, o processo foi encaminhado à vara responsável pela expedição do mandado.

O que diz a defesa do policial preso?

O advogado Fábio Camargos Figueiredo, que representa o policial preso, afirma que o agente nega as condutas atribuídas a ele.

A defesa sustenta que os fatos precisam ser analisados com base nas provas produzidas no processo e que alegações ou elementos ainda controvertidos não podem ser tratados como conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.

O advogado também questiona a necessidade de manutenção da prisão preventiva e afirma que eventuais irregularidades no exercício da função pública devem ser individualizadas e comprovadas por elementos concretos.

A defesa diz ainda que confia na atuação do Poder Judiciário e pretende adotar as medidas jurídicas cabíveis.

O que diz a Polícia Civil?

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que a Corregedoria-Geral investiga os fatos.

Em nota, a corporação afirmou que não compactua com eventuais desvios de conduta de seus servidores e reafirmou o compromisso com uma apuração isenta e rigorosa.

O irmão do conselheiro também foi detido?

Leandro Augusto, de 42 anos, irmão de Bruno, afirmou que foi até a residência durante a operação depois de receber informações sobre a ação policial.

Segundo o relato dele, Leandro começou a filmar a operação com o próprio celular para registrar o que estava acontecendo. Ele afirma que os policiais disseram que ele não poderia fazer as imagens e, posteriormente, deram voz de prisão.

Leandro relatou ter permanecido por cerca de uma hora no compartimento de uma viatura e depois por aproximadamente dez horas no Departamento Estadual de Investigação de Narcóticos (Denarc).

Segundo ele, o celular foi apreendido e posteriormente devolvido após a intervenção de um advogado.

O que acontece agora?

Mesmo com a soltura de pai e filho, a investigação continua.

A decisão judicial não encerrou o caso nem estabeleceu que a droga foi plantada. A Corregedoria ainda apura a atuação dos três policiais e as circunstâncias em que a barra de maconha foi localizada.

O policial que está preso permanece submetido à prisão preventiva, enquanto os outros dois investigados ainda são procurados.

A análise das imagens da operação e dos demais elementos reunidos no inquérito deverá ajudar a esclarecer se houve irregularidades na apreensão e qual foi a participação individual de cada agente investigado.

Mãe diz ter perdido 22 kg durante os 45 dias de prisão

Perpétua, de 68 anos, mãe de Bruno e avó de Mateus, também fez um apelo pela liberdade dos dois durante o período em que permaneceram presos.

Segundo ela, os 45 dias de prisão dos familiares afetaram profundamente a rotina da família. Perpétua afirmou ter perdido 22 quilos no período e disse que passou a enfrentar dificuldades para dormir e se alimentar.

“Estou decepcionada com a polícia. Eu não durmo, eu não como. Emagreci 22 kg”, relatou.

Perpétua afirmou ainda que considera injusta a situação vivida pela família e defendeu que o filho e o neto não têm envolvimento com crimes.

“Eu quero é o meu filho e o meu neto na minha casa, porque eu sei que eles não são bandidos. Nenhum dos meus filhos são”, declarou.

Por

Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.

Por

Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.

Por

Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.

Por

Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.

 

 

Belo Horizonte