Ouvindo...

Times

Conteúdo Patrocinado

Patrimônios mundiais da UNESCO em Minas Gerais

Conjuntos seculares contam um pedaço da história do Brasil e carregam a memória da criação do estado de Minas Gerais

oferecimento

O reconhecimento do valor histórico e cultural dado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) coloca quatro monumentos de Minas Gerais junto com outros marcos da humanidade – como o Taj Mahal, a Grande Muralha da China, e a cidade do Vaticano.

Nas cidades históricas, a história do estado se mistura com a do Brasil. Monumentos de arte sacra trazem a magnitude do trabalho manual e da representação da fé. Na capital de Minas, o vanguardismo arquitetônico dos anos 1940 é representado em uma estrutura digna de obra de arte.

O valor do patrimônio cultural

Um bem tombado como patrimônio cultural leva o reconhecimento de tudo aquilo que traz fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas.

A política de patrimônio cultural imaterial começou no Brasil junto com a Constituição Federal de 1988. O conceito de patrimônio cultural aparece no artigo 216, trazendo as dimensões material e imaterial, sendo que:

  • Classificam-se como patrimônio cultural material sítios arqueológicos, obras arquitetônicas, urbanísticas e artísticas.
  • Exemplos de patrimônio cultural imaterial são celebrações e saberes da cultura popular, as festas, a religiosidade, a musicalidade e as danças, as comidas e bebidas, as artes e artesanatos, mitologias e narrativas, as línguas e a literatura oral.
Leia também

Patrimônios da humanidade em Minas Gerais

O patrimônio mundial deve refletir a riqueza e diversidade cultural/natural do território, trazendo, como resultado, mais compreensão do processo civilizatório da humanidade.

Veja os quatro patrimônios mundiais reconhecidos pela UNESCO em Minas Gerais.

Conjunto Moderno da Pampulha - Belo Horizonte

  • Tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Natural (IPHAN): 1997.
  • Reconhecimento como Patrimônio Mundial: 2016.

O conjunto que enfeita a orla da Lagoa e é um dos cartões-postais de BH foi o primeiro bem cultural a receber o título de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno.

O reconhecimento do valor do conjunto vem de todas as frentes: o arquiteto responsável, Oscar Niemeyer, guardava esse agrupamento como uma de suas obras mais importantes. Para a UNESCO, trata-se de uma obra-prima do gênio criativo humano.

O conjunto é formado por quatro edifícios articulados em torno de um lago artificial e seu espelho d'água. São eles: a Igreja de São Francisco de Assis; o Cassino (atualmente, o Museu de Arte da Pampulha); a Casa do Baile (Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte); e o Iate Golfe Clube (Iate Tênis Clube).

Para embelezar ainda mais o exterior do conjunto, outros dois grandes nomes das artes brasileiras completam a obra: painéis de azulejos criados por Cândido Portinari, jardins planejados por Roberto Burle Marx, e esculturas feitas por Alfredo Ceschiatti e José Alves Pedrosa.

Originalmente, a área onde o conjunto está localizado era uma fazenda que abastecia os empreendimentos agrícolas de Belo Horizonte. Na década de 1940, foi loteada e urbanizada para receber o trabalho de Niemeyer; e foi essa integração entre arquitetura, artes plásticas e paisagismo que chamou a atenção dos especialistas.

A formação curva e as qualidades plásticas do concreto armado foram reconhecidas entre intelectuais e artistas da época como um marco histórico da expressão arquitetônica.

Santuário do Bom Jesus de Matozinhos - Congonhas

  • Tombamento pelo IPHAN: 1939.
  • Reconhecimento como Patrimônio Mundial: 1985.

O conjunto de esculturas e construções do Santuário de Bom Jesus de Matozinhos é reconhecido como um verdadeiro ícone da arte sacra no Brasil. Um pedaço da história da Via Crucis de Jesus Cristo é contado por meio de itens seculares.

A construção do Santuário começou na segunda metade do século XVIII. A composição do conjunto consiste na igreja, um adro murado e a escadaria externa ornados com estátuas de pedra-sabão dos 12 profetas e, por fim, seis capelas, chamadas Passos, que estão em frente ao templo.

Distribuídas dentro das capelas, existem 66 esculturas de madeira policromada. A coleção escultórica mostra os sete Passos da Paixão de Cristo, e é considerado um dos grupos de esculturas de arte sacra mais completos do mundo.

Tanto as 12 esculturas dos profetas, que estão no exterior, quanto as estátuas dentro das capelas, foram criadas por Aleijadinho. Esses trabalhos são considerados suas obras-primas, e ajudam a contar um pouco da história da arquitetura e da arte desenvolvidas no Brasil.

Centro Histórico - Diamantina

  • Tombamento pelo IPHAN: 1938.
  • Reconhecimento como Patrimônio Mundial: 1999.

A cidade representa características típicas de um núcleo colonial português. Mas, mais do que uma réplica da cultura europeia, Diamantina representa algo único, com uma identidade criada a partir de influências portuguesas, mas adaptada à localidade.

O centro histórico da cidade é uma representação da ocupação no interior do Brasil que aconteceu no século XVIII – fruto das explorações em busca de riquezas minerais. A ocupação em Diamantina se deu porque a cidade era o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII.

O centro histórico de Diamantina se destaca em meio à paisagem grandiosa ao seu redor. Em meio às montanhas e encostas, um padrão arquitetônico se repete a partir de fachadas geométricas e um padrão de construção mais refinado do que se esperava para a época.

As cores e materiais usados nas igrejas no entorno das casas do centro histórico também ajudam a criar a coesão de todo o conjunto.

Centro Histórico - Ouro Preto

  • Tombamento pelo IPHAN: 1938.
  • Reconhecimento como Patrimônio Mundial: 1980.

Ouro Preto carrega algo mais além das histórias do Ciclo do Ouro, a Inconfidência Mineira e a arte barroca. A cidade foi também o primeiro bem cultural brasileiro classificado como Patrimônio Mundial da Humanidade.

O centro histórico de Ouro Preto, portanto, tem seu reconhecimento adquirido pelo valor do seu conjunto arquitetônico e urbanístico.

A cidade se desenvolveu a partir da exploração de jazidas da região e pelo fato de ser a capital do que, mais tarde, viria a ser um estado autônomo.

A própria estrutura das construções de Ouro Preto são um reflexo dos resultados da exploração do local: as técnicas de pau-a-pique e adobe passaram a ser substituídas por pedra e cal, e isso só foi possível pela riqueza resultante da exploração de ouro, e do trabalho escravo que permeava toda essa operação.

Duas construções são especialmente reconhecidas no que diz respeito aos marcos da construção civil em Ouro Preto: o Palácio dos Governadores (que, atualmente, abriga a Escola de Minas), e a Casa de Câmara e Cadeia (hoje, o Museu da Inconfidência).

Lista de espera para futuros patrimônios mundiais

Antes de ser um patrimônio mundial reconhecido pela UNESCO, o item indicado deve integrar a Lista Indicativa a Patrimônio Mundial.

Atualmente, dois patrimônios naturais de MG já reconhecidos pelo IPHAN integram a listagem: o Cânion do Rio Peruaçu, o Parque Nacional da Serra da Canastra e, classificado como patrimônio misto (natural e cultural), a Caverna do Peruaçu/Parque Estadual Veredas do Peruaçu.


Participe dos canais da Itatiaia:

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.
Leia mais