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Arquitetura colonial nas cidades históricas mineiras

Pinturas, esculturas e igrejas são os elementos que mais representam a riqueza de arquitetura barroca em Minas

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As cidades do interior de Minas são conhecidas pela importância cultural e histórica – vide Ouro Preto e Diamantina, tombadas, respectivamente, como Patrimônio Mundial e Cultural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Mas conhecer a fundo o que torna essas cidades tão charmosas também acaba sendo uma lição de arte.

A arquitetura barroca de Minas tem dois grandes representantes: Aleijadinho e Mestre Ataíde. Suas obras estão espalhadas pelo estado, mas existem também outros patrimônios religiosos que representam o barroco nas montanhas.

No que consiste o barroco como um todo

Esse estilo artístico originado na Europa se estendeu pela arquitetura, literatura e artes plásticas entre os séculos XVI e XVII. Foi concebido em contraste com o otimismo renascentista – que colocava e celebrava o ser humano no centro de tudo.

Os trabalhos do barroco carregam uma certa angústia, motivada pela impermanência e dualidade que caracterizam a vida humana (sombra e luz, vida e morte, fé e razão, alma e corpo etc.). Por isso, imprime um certo tom soturno às obras – alcançado, especialmente, com o recurso de luz e sombra aplicado em pinturas.

Em relação à estética, especialmente na arquitetura, o barroco é marcado pela riqueza de detalhes. Esculturas e pinturas são criadas para retratar não apenas sentimentos humanos tidos como ruins (como tristeza e angústia), mas também para causar emoções fortes em quem aprecia essas artes.

Como o barroco chegou ao Brasil e MG

No Brasil colônia, o barroco chegou ainda no século XVII por influência de Portugal. Essa influência artística chegou à Capitania de Minas Gerais, o centro da atividade mineradora da colônia brasileira, e deu origem a alguns dos trabalhos mais significativos do chamado barroco mineiro.

Representantes do barroco mineiro

Um dos maiores representantes brasileiros do barroco nasceu e viveu em Minas Gerais: o mestre escultor Antônio Francisco Lisboa (o Aleijadinho). Seu trabalho com esculturas é seu maior destaque, sendo marcado por curvas, expressões faciais destacadas e detalhes que dão a impressão de movimento.

Embora o trabalho de Aleijadinho seja volumoso e muito popular, existe outro grande nome do barroco mineiro que merece destaque: Manoel da Costa Ataíde – ou, como é mais conhecido, Mestre Ataíde. Nascido em Mariana, o artista criou pinturas e esculturas muito celebradas como parte da cultura mineira.

O trabalho de Mestre Ataíde carrega características como o uso de cores contrastantes entre si e santos e madonas com expressões “angustiantes”.

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A arquitetura barroca em Minas

E o que caracteriza uma construção inspirada no barroco mineiro? O uso de abóbadas, arcos, linhas curvas nas construções.

Além disso, boa parte dos trabalhos que representam a arquitetura barroca em Minas foram criados em igrejas, ou representam figuras religiosas.

Aleijadinho criou várias estátuas que adornam portas, fachadas ou até mesmo o interior das igrejas. Mestre Ataíde fez pinturas em tetos de igrejas e também esculturas – inspiradas, inclusive, pelo trabalho de Aleijadinho.

Vendo de perto a arquitetura barroca

Quando se trata de retratar o barroco mineiro, o melhor jeito de ver de perto as obras de cada artista.

Para nossa sorte, Minas Gerais tem uma série de monumentos com arte barroca distribuídos em algumas das cidades históricas mais importantes do estado.

Confira onde estão esses trabalhos do barroco mineiro.

Ouro Preto

Igreja São Francisco de Assis

É onde estão os restos mortais de Aleijadinho. O local abriga também o Museu Aleijadinho. O projeto, talha e esculturas também são atribuídos a Aleijadinho, e por isso essa é considerada sua obra-prima.

O medalhão central da igreja foi pintado por Mestre Ataíde e recebe destaque pelo uso de cores vivas.

Igreja Nossa Senhora do Rosário

Projetado por um arquiteto português (Antônio Pereira de Souza Calheiros). Se destaca pela planta curvilínea, torres circulares, fachada arredondada.

Tiradentes

Igreja Matriz de Santo Antônio

Esculturas da fachada e da portada são atribuídas a Aleijadinho. No interior da igreja, o destaque também fica por conta da grande quantidade de ouro utilizada nos detalhes. Também dentro da igreja está um órgão considerado histórico, do século XVIII.

Congonhas

Os Doze Profetas

Esculturas criadas em pedra-sabão por Aleijadinho representando Amós, Abdias, Jonas, Baruque, Isaías, Daniel, Jeremias, Oséias, Ezequiel, Joel, Habacuque e Naum. São encontradas no pátio da frente do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

O frontispício é de Aleijadinho e foi feito em pedra-sabão, material muito utilizado pelo escultor em suas obras. É marcada pelo grande número de santos e por representar várias fases do barroco.

São João del-Rei

Igreja de São Francisco de Assis

Caracterizada pela sua planta e adro do templo com formato curvo.

Também abriga adornos barrocos, como a escultura entre as torres de São Francisco ajoelhado diante de Jesus crucificado.

Mariana

Igrejas “irmãs”

Duas igrejas (São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo) construídas lado a lado e que reúnem diversas obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde. O medalhão da porta de entrada é atribuído à Aleijadinho; as pinturas de Mestre Ataíde estão nos forros da nave, porta e teto da sacristia.

Inclusive, é na igreja de São Francisco de Assis que estão os restos mortais de Mestre Ataíde.

O legado do trabalho de Aleijadinho, além de ser considerado um dos mais importantes do país e do barroco mineiro, ainda desperta curiosidade e rende investigações. Mais de 200 anos depois da sua morte, em 1814, ainda existem obras atribuídas a Aleijadinho sendo descobertas.

A mais recente foi uma imagem sacra analisada pelo Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais (Cecor) da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (EBA/UFMG).


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