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Arte e expressão nas montanhas de Minas Gerais

Experimentações e rupturas com os movimentos artísticos contemporâneos marcam o florescer dos vanguardistas mineiros

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O trabalho de artistas nascidos e crescidos em Minas Gerais faz parte da história da arte brasileira. A partir da particularidade de cada um em termos políticos e sociais, os trabalhos de arte foram criando impacto que reverberaram não apenas dentro do país, mas também no exterior. Minas tem representantes de diversos movimentos históricos, como o barroco e o modernismo.

Arte feita em Minas

A trajetória dos artistas é marcada por fases de descoberta e por refletirem o momento sociopolítico e cultural.

Conheça a história e marcos alcançados por estes artistas mineiros.

Amilcar de Castro

Natural da cidade de Paraisópolis. O trabalho de Amilcar de Castro ganhou destaque, principalmente, por suas esculturas.

Conhecido pelas suas obras minimalistas e geométricas. Sua técnica de trabalho envolve cortes limpos no aço corten, produzindo como resultado uma peça elegante em um material tido como robusto e de difícil trato.

Formação artística

Estudou escultura figurativa com Franz Weissmann em 1940, um importante artista plástico naturalizado no Brasil. A partir desta experiência, Amilcar vai entrando em contato com outro traço que viria a ser marca registrada do seu trabalho: a tridimensionalidade dos elementos.

Identidade

A obra de Amilcar de Castro é marcada por elementos e composições típicos do construtivismo – no qual a pintura e escultura são mais do que representações da realidade. São pensadas como construções; materiais, procedimentos e objetivos que remetem à arquitetura são usados.

A ideia por trás das obras construtivistas de Amilcar é não fragmentar o material: o artista ia fazendo os cortes e transformações ao redor da peça, mas sem usar solda porque isso traria um ar artificial à peça.

Com isso, não só a unidade interna da escultura é preservada, mas a peça como um todo dialoga de forma mais natural com o ambiente no qual está inserida.

O artista, que começou seu trabalho em BH, ganhou repercussão internacional. Nos anos 1960, participou da Mostra Internacional de Arte Concreta, realizada em Zurique e organizada por um importante arquiteto suíço, Max Bill.

Amilcar firmou residência em BH nos anos 1970, depois de ter participado de mostras internacionais. Foi professor e, posteriormente, diretor da Escola Guignard.

Onde ver o trabalho de Amilcar de Castro

Museu Inhotim/Brumadinho; Praça Carlos Chagas (em frente à sede da ALMG/BH); Praça Alaska (Sion/BH); jardins do Museu de Arte da Pampulha; jardins da Câmara Municipal (ambos em BH).

Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho)

Natural de Cachoeira do Campo, distrito da antiga Vila Rica, Aleijadinho é considerado o maior representante da arte barroca no estado e no Brasil.

História e identidade

Filho de uma mulher escravizada e do homem que era seu patrão, Aleijadinho não nasceu como um homem escravizado porque foi libertado pelo seu pai no batismo.

Seu pai era arquiteto, e é atribuída a ele a influência inicial do trabalho que Aleijadinho viria a exercer.

Religiosidade nas artes

Boa parte da obra de Aleijadinho remete à figuras religiosas porque sua formação artística e cultural foi toda baseada na região onde morava – cercada de irmandades religiosas.

É também nos ambientes sagrados que os trabalhos mais relevantes de Aleijadinho foram criados – em especial, em talhas de altares de igrejas.

O uso de pedra-sabão para esculturas foi uma das marcas registradas do trabalho de Aleijadinho. Calcula-se que Aleijadinho começou a trabalhar com pedra-sabão em 1761.

Saúde

Aleijadinho foi acometido por uma doença grave que deforma seu corpo e membros. Apesar de ter as mãos muito prejudicadas pela sua condição, e ter chegado a perder os dedos dos pés, não deixou de criar suas obras.

A doença de Aleijadinho divide especialistas da saúde. Alguns indicam que poderia ter sido sífilis, mas outras possibilidades como moléstia de Raynaud, porfiria e poliomielite também já foram ventiladas.

Onde ver as obras de Aleijadinho

12 profetas na escadaria da igreja Bom Jesus de Matozinhos (Congonhas); Museu da Inconfidência (Ouro Preto); fachada da Igreja São Francisco de Assis (Ouro Preto); cinco cadeiras e um trono episcopal (Museu de Arte Sacra de Mariana).

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Carlos Drummond de Andrade

Natural de Itabira do Mato Dentro. Drummond é considerado um dos principais representantes do Modernismo no Brasil.

Início da carreira artística

Sua carreira literária deu seus primeiros passos ao fundar uma publicação chamada “A Revista”. O objetivo do material era divulgar o Modernismo pelo país afora.

Seu primeiro trabalho como poeta aconteceu em 1930, com a publicação de “Alguma poesia”.

Identidade

O trabalho literário de Drummond é marcado pelo uso de versos livres, sem a obrigatoriedade de rimas e métricas das frases. O itabirano também usava seus poemas para retratar os sentimentos que surgiam a partir de problemas individuais e sociais da sua época.

Perdas e reconhecimentos

Embora a obra de Drummond seja reconhecida pelo sentimentalismo e emoções, um poema em especial tem uma triste história por trás: “O que viveu meia hora” refere-se ao seu filho com sua esposa, Dolores Dutra. A criança, infelizmente, viveu por apenas 30 minutos.

O reconhecimento recebido por intelectuais e artistas contemporâneos ajudou a projetar o trabalho de Drummond e posicioná-lo como um dos maiores poetas brasileiros. Inclusive, o autor foi um dos poucos escritores que conseguiu viver do seu trabalho literário, sem precisar depender de outras fontes de renda.

Drummond também passou por mais uma dor da perda ao longo da sua vida. Sua filha Julieta foi vítima de um câncer; menos de duas semanas depois do falecimento dela, Drummond sofreu um infarto e morreu.

Onde encontrar o trabalho de Drummond

Suas poesias estão reunidas em diversos livros, sendo os mais famosos “A rosa do povo”, “Sentimento do mundo” e “Antologia poética”.

Lygia Clark

Lygia nasceu e cresceu em Belo Horizonte. É uma importante representante do Movimento Neoconcreto, juntamente com outros artistas como Ivan Serpa, Lygia Pape, Hélio Oiticica e Ferreira Gullar.

Formação artística

Foi aluna de Roberto Burle Marx no Rio de Janeiro na década de 1940. Seus primeiros passos na arte aconteceram como pintora. Ao longo da carreira, foi fazendo experimentações com obras tridimensionais.

O uso de materiais foi variando ao longo da sua trajetória artística. No início, as obras são marcadas por experimentações com elementos básicos da pintura, com composições em papel, óleo, e carvão.

Influências

Lygia Clark mudou-se para Paris em 1950. Lá, bebeu direto da fonte artística e conviveu com representantes de movimentos de vanguarda (como o Cubismo e Surrealismo).

Após o período de estudos em Paris, seus trabalhos tomam outra forma. Elementos geométricos e diferentes cores vão ocupando espaço nas telas.

Exposições

Participou de mostras nacionais de grande importância, como a II Bienal do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo e a I Exposição Nacional de Arte Abstrata.

Além disso, também representou o Brasil em exposições internacionais (a Bienal de Veneza em 1954, por exemplo, e uma exposição coletiva de artistas brasileiros em Paris no ano seguinte).

Também teve exposições individuais fora do Brasil em Londres, Alemanha. Participou de diversas mostras coletivas nos Estados Unidos e em outros países da Europa.

Novos olhares sobre a arte

Durante seu processo criativo, Lygia foi se afastando do trabalho em telas e se aventurando com esculturas.

Pouco depois da metade dos anos 1960, Lygia Clark trouxe um novo paradigma nas artes plásticas brasileiras, criando uma conexão entre arte e experiências sensoriais. Os trabalhos variaram de trabalhos fotográficos usando objetos cotidianos, como pedras, água, conchas e sementes, até intervenções que simulam processos fisiológicos.

Embora seja uma das cofundadoras do movimento neoconcretista, Lygia Clark não se apegou a rótulos ao longo do carreira. Em dada fase da sua trajetória, chegou a se declarar como uma “não-artista”.

Onde encontrar o trabalho de Lygia Clark

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro tem 23 obras de Lygia Clark no seu acervo. Além de ter as obras digitalizadas, o trabalho da artista também figura em exposições temporárias, como na Pinacoteca de São Paulo.


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