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Dia do Queijo Artesanal de Minas: iguaria é instrumento de transformação social no Estado; entenda

Data serve para lembrar que a iguaria gera empregos, desenvolve o comércio e incentiva a permanência dos produtores no campo com mais dignidade e qualidade de vida

Nesta quinta-feira (16) comemora-se o Dia do Queijo Artesanal de Minas. A data foi instituída pelo então governador Fernando Pimentel (PT) em 2017 por meio da Lei 22.506 e remete ao registro, em 2008, do Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas.

E antes que você pergunte se queijo Artesanal de Minas não é a mesma coisa de Queijo Minas Artesanal, explico que a grande diferença está no processo de fabricação.

O Queijo Minas Artesanal não passa por nenhum processo mecânico/industrial. Sua fabricação é feita com leite cru (in natura), fermento natural (conhecido como ‘pingo’), coalho e sal, não recebendo tratamento térmico e sendo prensado de forma manual, conforme a tradição.

Já a classificação Queijo Artesanal de Minas é conferida a todos os outros queijos feitos com os mesmos ingredientes, mas por meio de processos diferentes.

Assim, todo queijo Minas Artesanal é um queijo artesanal mineiro; mas nem todo queijo artesanal mineiro é um queijo Minas Artesanal.

Portanto, os dados da produção de queijos artesanais referem-se à produção de queijos feitos a partir de leite cru. De acordo com relatório da Seapa, são produzidas por ano, no Estado, 31,4 mil toneladas de queijos desse tipo.

As agroindústrias familiares de queijos artesanais reúnem os principais tipos de queijo artesanal existentes no estado, como o Queijo Minas Artesanal (3.123 agroindústrias), o requeijão moreno (839), o Queijo Artesanal da Serra Geral (617), o queijo Cabacinha (164), o queijo artesanal Mantiqueira de Minas (153), o Queijo Artesanal de Alagoa (140) e o queijo artesanal do Vale do Suaçuí (74).

Há também um número significativo de queijo artesanal ainda não identificado por tipo ou por região, denominado neste estudo de queijos artesanais não caracterizados (3.260).

Queijos Artesanais têm tradição histórica e cultural

Símbolos da identidade gastronômica de Minas Gerais e Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro (QMA) (IPHAN, 2008), os queijos artesanais são reconhecidos por suas tradições histórica, cultural, social e econômica. Ciente dessa relevância, o estado já identificou e reconheceu 15 regiões como produtoras de queijos artesanais.

São regiões produtoras do Queijo Minas Artesanal (QMA) – Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Entre Serras da Piedade ao Caraça, Serra do Salitre, Serro, Triângulo Mineiro, Serras da Ibitipoca. E cinco produtoras de outros tipos de queijos artesanais mineiros (além do QMA) – Alagoa, Mantiqueira de Minas, Serra Geral do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Vale do Suaçuí. Mapa das regiões produtoras de queijos artesanais em MG

O diretor de agroindústria e cooperativismo da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Seapa), Ranier Chaves Figueiredo, mestre e doutor em queijos artesanais, disse à Itatiaia que a produção e a comercialização de queijos artesanais têm viabilizado oportunidades de emprego e composto a renda de diversas famílias, melhorando a qualidade de vida das pessoas.
A produção da iguaria envolve mais de 30 mil famílias no estado, de acordo com o último levantamento da Emater.

“A elaboração e a venda desse produto genuinamente mineiro, dinamizam e desenvolvem o comércio dos municípios e do estado, incentivam a permanência do agricultor no campo, geram oportunidades de trabalho para mulheres e jovens rurais e valorizam a cultura e a tradição mineiras”.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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