Motoristas de app são atraídos para falsas corridas e sequestrados no RJ; PC estima 20 vítimas

Emboscada era comandada por traficantes do Morro do Dendê, na Zona Norte da capital fluminense; vítimas só eram liberadas mediante pagamento em dinheiro

Investigações seguem a cargo da Polícia Civil do Rio de Janeiro

Ao menos 20 motoristas de aplicativo caíram em uma armadilha montada por traficantes do Morro do Dendê, localizado na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro. A facção Terceiro Comando Puro (TCP) comanda a comunidade.

A armadilha funcionava da seguinte forma: o motorista aceitava a corrida para uma rua próxima ao Morro do Dendê e, quando chegava no destino, ao invés de um passageiro entrar no carro, era um traficante. O criminoso abordava o motorista e o levava para dentro da comunidade.

Sob o poder dos traficantes, a vítima era extorquida. O motorista deveria pagar uma quantia aos criminosos via pix, dinheiro vivo ou transferência bancária. Ele só era liberado após a confirmação do pagamento. Segundo a polícia, não houve tortura, mas as vítimas ficaram horas sob o poder dos bandidos. Alguns motoristas relataram ter ficado de seis a sete horas sendo ameaçados pelos traficantes.

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As vítimas contam que os motoristas que fossem de fora da região da Ilha do Governador eram ameaçados pelos traficantes a não rodarem mais por aquela região. Já aqueles que eram da Ilha do Governador deveriam pagar uma taxa aos criminosos.

Pelo menos 11 motoristas já registraram queixa na delegacia da Ilha e sete traficantes foram identificados. Em abril, a polícia prendeu o miliciano Alessandro Villani, apontado como o responsável pela cobrança dos valores exigidos das vítimas. Em março, o mototaxista Anderson Costa também foi preso, acusado de fazer valer as ordens dos narcomilicianos. Ele recolhia as taxas dos motoristas e entregava aos traficantes do Morro do Dendê.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro segue investigando o crime.


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Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.

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