Marca chinesa quer comprar fábrica da Stellantis para produzir no Brasil
Dongfeng avalia adquirir a antiga fábrica de motores em Campo Largo-PR e também negocia parceria com a Stellantis para produção de veículos no Brasil

A fabricante chinesa DFM, conhecida globalmente como Dongfeng, está em negociações para adquirir a fábrica desativada da Stellantis em Campo Largo-PR, em mais um passo para consolidar a sua entrada no mercado brasileiro. A marca fará a sua estreia oficial no país durante o Festival Interlagos 2026, em agosto, e trabalha para anunciar, já nesse momento, um plano de produção nacional.
Segundo a revista Autoesporte, além das conversas com a Stellantis, a DFM também mantém negociações com a Nissan para compartilhar a fábrica da empresa japonesa em Resende-RJ. No entanto, a Stellantis ganhou força nas tratativas ao oferecer uma parceria industrial que pode envolver tanto o compartilhamento de produção quanto a venda de ativos no Brasil.

Em maio, durante participação no programa CBN Autoesporte, o diretor de operações da DFM no Brasil, Felipe Amaral, confirmou que a empresa mantinha conversas abertas com Nissan e Stellantis. Segundo o executivo, a Dongfeng possui parcerias históricas com as duas fabricantes na China, o que torna natural a busca por uma colaboração semelhante no mercado brasileiro.
"As duas parcerias mais exitosas da Dongfeng na China são com Nissan e PSA [atual Stellantis]. Então, naturalmente, esses parceiros já são quase globais. Essa conversa entre as duas sempre vai existir. Não está cravado, mas sim, uma das opções é a Nissan. [A fábrica da Stellantis em] Porto Real é uma das opções que a gente já olhou também", afirmou o Amaral.

No início de junho, o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, também reconheceu que existem negociações entre as empresas para a produção conjunta de veículos no Brasil. Segundo o executivo, caso os projetos apresentem competitividade, modelos desenvolvidos em parceria entre Stellantis e Dongfeng na China poderão ser produzidos ou comercializados no mercado brasileiro, embora ele não tenha citado uma fábrica específica.
As negociações, porém, vão além da unidade de Porto Real-RJ, onde atualmente são produzidos os Citroën C3, Basalt e Aircross, e que também passará a fabricar o Jeep Avenger ainda neste mês. A fábrica fluminense é considerada estratégica porque o futuro da Citroën no Brasil ainda é incerto no médio prazo, e uma produção compartilhada ajudaria a manter o complexo em operação.

Paralelamente, a Stellantis negocia a venda do complexo industrial de Campo Largo-PR para a DFM. A unidade, desativada desde 2022, funcionou durante cerca de 15 anos como a fábrica dos motores e.TorQ da Fiat, mas atualmente está sem utilização. Fontes ligadas ao projeto afirmam que representantes da montadora chinesa, da Stellantis e do governo do Paraná vêm realizando reuniões frequentes para discutir a operação.
Ainda não há definição sobre o futuro da unidade paranaense. A DFM avalia tanto manter a estrutura voltada para a produção de motores quanto realizar uma ampla modernização para transformá-la em uma fábrica de montagem de veículos. Também permanece em aberto se a empresa fechará apenas a aquisição da unidade de Campo Largo ou se combinará esse movimento com uma parceria de produção em Porto Real.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



