Volkswagen pode vender Lamborghini e Ducati para enfrentar pior crise em anos
Reestruturação bilionária pode levar grupo alemão a negociar marcas de luxo e reduzir investimentos para recuperar a saúde financeira

Após anunciar que pretende tirar de linhas os modelos menos rentáveis, o Grupo Volkswagen estuda medidas drásticas para enfrentar a pior crise financeira de sua história recente. Entre as alternativas analisadas está a venda da fabricante italiana de motocicletas Ducati e até uma abertura de capital da Lamborghini, como forma de levantar recursos para financiar um amplo plano de reestruturação.
A situação da companhia se agravou após a forte queda da lucratividade, o aumento da concorrência das montadoras chinesas e os elevados investimentos exigidos pela eletrificação e pelo desenvolvimento de softwares automotivos. Além disso, tarifas comerciais e a desaceleração de importantes mercados também pressionam os resultados do conglomerado alemão.

O plano elaborado pelo CEO, Oliver Blume, prevê a eliminação de cerca de 100 mil postos de trabalho, o fechamento de quatro fábricas na Alemanha e uma redução de aproximadamente 15% nos investimentos previstos para os próximos cinco anos. A expectativa é que essas medidas diminuam custos e tornem o grupo mais competitivo diante do novo cenário da indústria automotiva.
Nesse contexto, a Ducati voltou ao centro das discussões. A marca, controlada pela Audi desde 2012, já havia sido colocada à venda em 2017, mas a operação acabou não avançando. Agora, diante da necessidade de reforçar o caixa, analistas acreditam que uma negociação pode se tornar mais viável, embora ainda não exista uma decisão oficial.

Já a Lamborghini poderá seguir um caminho diferente. Em vez de uma venda integral, a Volkswagen avalia realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO), mantendo parte do controle da fabricante de superesportivos enquanto capta recursos no mercado financeiro. O modelo seria semelhante ao adotado anteriormente com outras empresas do setor automotivo.
Segundo o jornal Financial Times, a Volkswagen não confirmou nem negou a possível venda da Ducati. Em nota, a empresa afirmou apenas que não comenta documentos internos e destacou que todo o grupo passa por uma profunda transformação para enfrentar a nova realidade do mercado global, marcada por tarifas, concorrência crescente e necessidade de maior disciplina nos custos e investimentos.
As decisões finais sobre o futuro das marcas deverão ser analisadas pelo conselho de supervisão da companhia nas próximas semanas. Até lá, Lamborghini e Ducati seguem integrando o portfólio do Grupo Volkswagen, mas o cenário reforça que nem mesmo suas marcas mais prestigiadas estão imunes ao processo de reestruturação da montadora alemã.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



