Seis anos depois de encerrar a produção de caminhões em São Bernardo do Campo-SP e iniciar o processo de fechamento de suas fábricas no Brasil, concluído em 2021, a Ford apresentou na Europa o F-Line E, seu primeiro caminhão elétrico pesado destinado a operações comerciais — uma aposta que demonstra a permanência da montadora no rumo da eletrificação, mesmo em meio a ajustes na estratégia global.
O F-Line E será fabricado pela Ford Otosan, joint venture formada pela marca do oval azul e a Koç Holding, da Turquia. A parceria supervisiona o projeto, a engenharia e a produção de tratores e veículos de construção e caminhões pesados para a Ásia, Europa e Oriente Médio.
O caminhão será vendido em duas versões equipadas com um motor elétrico tracionando as rodas traseiras: a 4x2, voltada a atividades urbanas, e a 6x2, focada em aplicações mais pesadas.
Ford F-Line E nas versões 4x2 e 6x2
Na 4x2, o motor de 315 cv de potência, com pico de 389 cv (o torque não foi informado), alimentado por três baterias de níquel-manganês-cobalto, que fornecem 294 kWh (235 kWh utilizáveis). A autonomia é estimada em 250 quilômetros.
Já a configuração 6x2 conta com quatro baterias de 98 kWh, totalizando 392 kWh (314 kWh utilizáveis), para fornecer alcance de 300 km ao motor de 415 cv e 139,7 kgfm de torque, que atinge picos de 523 cv e 251,8 kgfm em condições que exijam mais força.
Segundo a Ford, ambos podem ser recarregados em instalações rápidas (213 kW para o 4x2 e 285 kW no caso do 6x2).
Apesar dos bons números de potência e torque das versões, os dois modelos têm a velocidade máxima limitada a 90 km/h para poupar a carga das baterias, reforçando o caráter utilitário e funcional do veículo.
De acordo com a Ford, o F-Line E foi pensado para atender frotas de distribuição urbana, logística, coleta de resíduos e outros serviços comerciais, com estrutura modular que permite adaptar carroceria e equipamentos conforme a necessidade.
A proposta dos caminhões visa fornecer torque instantâneo e reduzir emissões, colocando no mercado europeu uma alternativa aos modelos tradicionais a diesel — em um momento em que a transição para veículos elétricos reflete pressões regulatórias e preocupação ambiental.