Belo Horizonte
Itatiaia

Feijão de alta qualidade mantém preços firmes no início de julho, aponta Cepea

Oferta restrita sustenta cotações do carioca premium, enquanto lotes intermediários e feijão preto apresentam comportamentos distintos.

Por
Grãos de feijão vermelho escuro em close, com destaque para a textura e o brilho dos grãos, ilustrando matéria sobre o mercado brasileiro de feijão
Oferta limitada de feijão carioca de alta qualidade mantém as cotações sustentadas. • Divulgação / CNA

O mercado brasileiro de feijão iniciou julho mantendo o comportamento observado ao longo do primeiro semestre, marcado pela segmentação entre os diferentes padrões de qualidade.

Segundo o indicador Cepea/CNA, enquanto o feijão carioca de melhor qualidade segue com preços sustentados pela oferta restrita, os segmentos de qualidade intermediária e o feijão preto apresentam oscilações regionais, refletindo diferenças na disponibilidade do produto e no ritmo das negociações.

Feijão carioca

O mercado do feijão carioca de melhor qualidade (peneira 12 ou nota 9,0 ou superior) permanece firme, sustentado pela oferta limitada, mesmo com o início da colheita da safra irrigada no Cerrado. A demanda da indústria continua aquecida para recomposição dos estoques, mantendo as cotações em patamares elevados.

Em junho, segundo o Cepea/Esalq, os preços recuaram 9,65% em relação a maio, após as expressivas altas registradas ao longo do primeiro semestre. Apesar desse movimento, as cotações acumulam valorização de 62,4% no ano e permanecem 57% acima do registrado em junho de 2025.

No curto prazo, a expectativa é de estabilidade, com viés de firmeza. Embora a entrada gradual da safra irrigada possa limitar novas altas, não são esperadas quedas expressivas enquanto a oferta de grãos de alto padrão continuar restrita.

Já o mercado do feijão carioca de qualidade intermediária (notas 8 e 8,5) segue mais pressionado pela maior disponibilidade de lotes, principalmente provenientes do Paraná, onde a qualidade da produção foi afetada por geadas e chuvas.

Em junho, os preços recuaram 13,15% na comparação com maio. Ainda assim, acumulam alta de 52,3% no primeiro semestre e permanecem 70,3% acima dos níveis registrados em junho de 2025.

Na última semana, o indicador Cepea registrou quedas nas regiões Sul/Sudoeste de Minas Gerais (-6,27%), Leste Goiano (-5,53%) e Curitiba (-3,23%), refletindo a maior seletividade dos compradores.

A tendência é de acomodação das cotações, sobretudo nas regiões com maior disponibilidade de produto, enquanto o diferencial de preços em relação ao feijão de melhor qualidade deve permanecer elevado.

Feijão preto

O mercado do feijão preto tipo 1 permanece firme, sustentado pela redução da oferta após o encerramento da segunda safra no Paraná e pelas perdas de produtividade provocadas pelas adversidades climáticas.

Em junho, as cotações avançaram 1,88% em relação a maio, acumulando alta de 35,0% no primeiro semestre e de 47,2% na comparação com junho de 2025.

Segundo o Deral/Seab, apenas 21% das lavouras remanescentes no Paraná são classificadas como boas, reforçando a limitada disponibilidade de lotes de alta qualidade. As negociações seguem moderadas, concentradas principalmente na reposição de estoques pela indústria e nas necessidades de comercialização dos produtores.

No curto prazo, a expectativa é de manutenção do mercado firme, com possibilidade de novas valorizações pontuais caso persista a restrição na oferta.

Por

*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.