Expointer: suco de uva gaúcho ganha reconhecimento internacional
Conquista recente do Brasil junto à Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV) foi possível através da ciência e diplomacia

A qualificação do suco de uva foi o tema debatido na quinta-feira (4), no painel do auditório da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), no Pavillhão Internacional da Expointer. Recentemente, o Rio Grande do Sul enquadrou a produção de suco de uva nos parâmetros internacionais, visando alcançar novos mercados.
Segundo a pesquisadora Fernanda Spinelli, do Laren/Seapi, a conquista recente do Brasil junto à Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV) foi possível através da ciência e diplomacia. O suco brasileiro não se enquadrava no padrão mínimo de sólidos solúveis internacional, que era de 16 Brix (medida da concentração de açúcares solúveis em uma substância). "O que nós conseguimos mostrar é que esse padrão não era inclusivo com a realidade brasileira, por conta da maturação de nossas uvas e em função das características de clima e solo do país", explicou Fernanda.
Segundo ela, na Europa os sucos são elaborados por espécies de uva Vitis vinifera e no Brasil é a Vitis ofusca, com 14 Bix. "Então, através de embasamentos técnico-científicos e bastante diplomacia, conseguimos baixar o padrão para o Codex Alimentarius", complementou a pesquisadora. Lembrando que 50% do material da vitinicultura gaúcha é voltado para a produção de suco.
O Codex Alimentarius é um conjunto de normas globais, criado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir a segurança e a qualidade dos alimentos e facilitar o comércio internacional.
Investimento no mercado exterior
Outro palestrante foi Henrique Pessoa dos Santos, chefe adjunto da pesquisa de desenvolvimento da Embrapa Uva e Vinho, que focou na produção de cultivares. "Nós já temos cultivares que são históricas aqui na região, principalmente, na região sul do Brasil, como a Isabel, a Niagara e a Bordô. A Embrapa faz pesquisas e tem desenvolvido programas de melhoramento desde 1987", disse Henrique.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



