A dependência brasileira da importação de cultivares e mudas de morangueiro pode reduzir em breve. O número de viveiristas licenciados que estão multiplicando a cultivar BRS DC25, batizada de Fênix e desenvolvida pela Embrapa, dobrou em apenas dois anos.
Em seu lançamento, em 2023, 18 viveiristas aderiram à tecnologia. No ano seguinte, esse número subiu para 22, e em 2025 já são 14 novos contratos formalizados. O resultado é expressivo: a produção passou de 2,5 milhões para mais de 5 milhões de mudas no período, com expectativa de ultrapassar 10 milhões em 2026.
Segundo o pesquisador Sandro Bonow, da Embrapa Clima Temperado, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, o aumento da produção se deve à carência de cultivares nacionais, de fácil acesso aos viveiristas, no mercado interno nas últimas décadas. “A Embrapa veio contribuir para mudar esse cenário, disponibilizando uma cultivar com atributos de qualidade demandados pelo mercado brasileiro. Isso possibilitou a produção de mudas nacionais de qualidade, com preços acessíveis, disponibilizadas aos produtores no momento certo para o plantio nas condições brasileiras”, afirmou.
Grande parte da produção nacional do
O custo das mudas brasileiras da cultivar Fênix, segundo Bonow, ainda varia conforme o nível tecnológico empregado pelo viveiro e a forma de disponibilização da muda (fresca ou envasada), mas, de forma geral, o preço é mais acessível e as mudas estão disponíveis no momento certo para o plantio em cada região produtora do País.
“É possível que o produtor tenha a muda na melhor época de plantio para sua região, aumentando sua janela de produção. E uma das características da cultivar Fênix, que é a precocidade, faz com que os morangos da cultivar possam ser comercializados antes do pico da safra tradicional, elevando os lucros”, explicou o pesquisador.
Características e desempenho no campo
A cultivar Fênix destaca-se por características que atendem às principais demandas dos produtores: precocidade, produtividade, boa conservação em pós-colheita, o que se traduz em durabilidade na prateleira. “Ela caiu também no gosto do consumidor. É muito saborosa, com um destaque para o calibre da fruta, teores de açúcar e acidez equilibrados, aroma e cor intensa. Tem ótima aceitação no mercado e facilidade de venda”, ressaltou Bonow.
O rendimento da cultivar é alto, variando de 900 gramas em sistema semi-hidropônico a 1.600 kg por planta no sistema tradicional a campo sob túnel baixo. O plantio, feito entre março e abril, permite o início de colheita entre maio e junho, uma colheita que se estende por até sete meses, ampliando a janela de produção, o que representa vantagem comercial em períodos de menor oferta no mercado.
“O fato de a cultivar ser precoce, com plantio na época ideal, permite ao produtor antecipar sua colheita e aproveitar melhores preços”, reforçou o pesquisador Luís Eduardo Antunes, envolvido no projeto. “A combinação entre qualidade da fruta, precocidade de produção e resiliência da planta faz da Fênix uma aliada importante para tornar o País soberano na produção de mudas”, conclui.