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Estudo aponta cenários de impacto das mudanças climáticas na produção de leite em Goiás

Estudo indica impactos das mudanças climáticas sobre rebanhos leiteiros e aponta maior adaptação do girolando

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Vacas leiteiras da raça holandesa em sistema de confinamento.
Estudo da Embrapa aponta que as mudanças climáticas podem ampliar o estresse térmico em rebanhos leiteiros de Goiás nas próximas décadas. • Divulgação / Pexels

Uma pesquisa mapeou o zoneamento de risco de estresse térmico em diferentes cenários climáticos para composições raciais de gado leiteiro no estado de Goiás. O prognóstico evidenciou que o número de dias por ano em que as condições climáticas geram estresse acima do limite suportável pode comprometer o desempenho das vacas de raça holandesa a partir de 2061, mesmo considerando um cenário de redução nas emissões globais de Gases de Efeito Estufa. 

O estudo também concluiu que os animais da raça girolando, cruzamento do gado holandês com o gado Gir, teriam melhor capacidade de adaptação. Ainda assim, poderiam ter restrições nos cenários de condições climáticas mais severas, especialmente no Noroeste do estado.

A pesquisa foi divulgada no Euragen World Congress, realizado em Torino, na Itália, de 24 a 26 de junho. Segundo a pesquisadora Nicole Costa Resende Ferreira, da Embrapa Territorial, que apresentou o trabalho, antecipar os cenários pode ajudar a preparar a adaptação dos produtores. 

“Em algumas regiões, a gente vê que não seria o caso de medidas drásticas de adaptação. Por exemplo, trocando o gado holandês pelo girolando ou por um girolando com uma composição mais alta de Gir, você já conseguiria produzir melhor. Para outras regiões, só trocar a raça não seria o suficiente. Seria preciso alterar infraestrutura ou investir em melhorias genéticas para o animal ser mais resiliente”, detalhou.

Análise de diferentes cenários

A raça girolando combina a característica de alta produção leiteira das vacas holandesas com a capacidade de adaptação e rusticidade da raça Gir. Há diferentes composições para formação da raça: desde ¼ Holândês + ¾ Gir até ⅞ Holandês + ⅛ Gir, de acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. 

A pesquisa apresentada no congresso italiano mostra como as mudanças climáticas impactariam vacas puramente holandesas e as girolandas com ⅛, ¼ e ¾. As análises foram feitas para dois níveis de severidade de alterações no clima e quatro períodos: 1986-2005, 2021-2040, 2041-2060 e 2061-2080.

Esse estudo é parte do projeto de pesquisa “Impacto das mudanças climáticas na produção de leite e bem-estar de vacas leiteiras criadas no estado de Goiás, Brasil”, apropriado na Embrapa Territorial e com a participação da Universidade Federal de Goiás, a Associação Girolando e a Universidade de Florença, na Itália. Dada a parceria, Nicole e parceiros do projeto visitaram experimentos da universidade italiana, durante a viagem ao país europeu para participar do projeto.

Aqui no Brasil, também há experimentos em uma fazenda de produção leiteira, com gado a pasto e confinado, em Goiás. Esse primeiro trabalho foi feito a partir do banco de dados da associação, com dez anos de informações sobre os limiares de estresse da raça com um indicador clássico, o Índice de Temperatura e Umidade. 

Com o experimento na fazenda, estão sendo coletados dados para desenvolver um índice mais complexo, que considere também outros aspectos com influência no bem-estar animal. O projeto começou a ser desenvolvido em 2025 e tem duração de quatro anos.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.