Paraná bate recorde na safra de verão com 26,3 milhões de toneladas de grãos
Produção cresce 6% em relação ao ciclo anterior, impulsionada pela soja, recuperação do milho e avanço tecnológico nas lavouras

O Paraná encerrou a safra de verão 2025/26 com novo recorde de produção de grãos. O estado colheu 26,3 milhões de toneladas, volume 6% superior ao registrado no ciclo anterior, quando alcançou 24,7 milhões. Os dados foram divulgados no fim de junho pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O desempenho foi impulsionado principalmente pela soja, que alcançou 21,8 milhões de toneladas. Mas também pela recuperação da produção de milho, que passou de 3,1 milhões para 4,1 milhões de toneladas.
“Esse resultado recorde é a combinação de três fatores principais: condições climáticas favoráveis, expansão da área cultivada, especialmente de milho, e o nível tecnológico cada vez maior das lavouras paranaenses”, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossa entidade participa desse processo levando capacitação e difundindo boas práticas agronômicas que contribuem para o aumento da produtividade”, complementou.
Além disso, o avanço tecnológico das lavouras paranaenses, aliado à adoção de práticas agronômicas cada vez mais precisas, tem sido decisivo para elevar os índices de produtividade.
“O produtor tem intensificado o acompanhamento técnico e aprimorado continuamente o manejo das lavouras. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios que mudam a cada safra, como as condições climáticas e a pressão de pragas e doenças. Por isso, é fundamental investir em ajustes de manejo, controle fitossanitário e boas práticas de produção para manter a competitividade e continuar avançando em produtividade”, destacou Meneguette.
Produtividade histórica
Na prática, o recorde estadual se reflete em resultados expressivos dentro das propriedades. Em Guarapuava, na região Centro-Sul, o produtor rural Eduardo Pletz alcançou uma produtividade histórica de 369,9 sacas de milho por hectare na safra de verão. Segundo o agricultor, o desempenho é fruto de décadas de aperfeiçoamento do sistema produtivo.
“Desde a década de 1980, produzimos milho na propriedade. Ao longo desse período, evoluímos em conhecimento, manejo do solo, rotação de culturas, integração e utilização de materiais genéticos mais produtivos”, contou.
Além do investimento técnico, o clima foi decisivo para alcançar o recorde. “Não faltou água para a cultura. Somando isso ao manejo do solo, à reposição de calcário, à adubação e aos cuidados durante todo o ciclo, conseguimos esse resultado, que coroa o trabalho de muitos anos e da dedicação da nossa família à atividade”, comemorou.
Capacitação permanente
Associado ao Sindicato Rural de Guarapuava, Pletz sempre busca conhecimento por meio dos cursos promovidos pelo Sistema FAEP. Segundo o produtor, as capacitações contribuem diretamente para a qualificação da equipe e para a evolução da fazenda.
Para ele, investir na capacitação é tão importante quanto investir na lavoura. “A terra é o maior patrimônio do produtor rural. Conservação do solo, rotação de culturas e manejo adequado fazem toda a diferença. Nós vamos continuar nesse caminho, buscando evoluir de forma sustentável nos próximos anos”, finalizou Pletz.
Atualmente, o Sistema FAEP conta com 259 cursos no catálogo, classificados em diferentes cadeias produtivas e áreas estratégicas. Alguns exemplos são grãos, hortifruti, solos, mecanização, piscicultura, tecnologia de aplicação, produção artesanal, segurança do trabalho, prestação de serviços, gestão e liderança. Todos os treinamentos são gratuitos e com certificados.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



