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Dia Internacional do Café reconhecido pela ONU: Brasil celebra safra recorde e alta no consumo

Neste 1º de outubro, a bebida ganha pela primeira vez o aval da Organização das Nações Unidas; mercado nacional vive momento de superávit de produção, queda nos preços ao consumidor e atração dos jovens

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Tradição e tecnologia impulsionam produção de café especial no Vale do Jequitinhonha
Dados da Abic mostram que o consumo no varejo cresceu 2,29% entre janeiro e agosto de 2026 • Giullia Gurgel/ Itatiaia

Se você tem a sensação de déjà vu ao ver celebrações sobre o Dia do Café nesta quinta-feira (1º), a impressão é justificável. O país já comemorou a bebida em 14 de abril e em 24 de maio, esta última, data incluída em 2005 no Calendário de Eventos do Brasil pela Associação Brasileira da Indústria de Cafés (Abic). Contudo, este 1º de outubro de 2026 carrega um peso histórico: é a primeira vez que o Dia Internacional do Café é celebrado sob o reconhecimento oficial da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), aprovado em resolução de 10 de março deste ano.

O marco multilateral coincide com um momento vibrante para o setor no Brasil, impulsionado por colheitas históricas, retomada do consumo interno, preços em queda no varejo e recordes sucessivos nas exportações.

Grãos de café secando no Vale do Jequitinhonha • Giullia Gurgel/ Itatiaia
Grãos de café secando no Vale do Jequitinhonha • Giullia Gurgel/ Itatiaia

Safra recorde e bienalidade favorável no campo

Segundo o 3º Levantamento da Safra divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita brasileira de café em 2026 deve alcançar o recorde histórico de 67,6 milhões de sacas de 60 kg, o que representa um salto de 19,6% em relação ao ano anterior.

O grande motor do desempenho foi o ciclo de bienalidade positiva e o clima favorável para a variedade arábica, responsável por cerca de 70% da produção nacional:

  • Café Arábica: alcançou 48,2 milhões de sacas, disparada de 34,8% na comparação anual.
  • Café Conilon/Robusta: registrou retração de 6,6% (19,4 milhões de sacas), afetado pelas baixas temperaturas no período da florada no Espírito Santo.
  • Minas Gerais em destaque: maior produtor nacional, o estado estimou sua produção de arábica em 34,96 milhões de sacas (Conab). Um levantamento de campo inédito do Sistema Faemg Senar, realizado em mais de 5,1 mil propriedades, aponta safra estadual de 33,4 milhões de sacas de arábica para o ano.

Além de Minas Gerais, São Paulo (+6,19 mi de sacas de arábica), Bahia (4,49 mi de sacas totais) e Rondônia (2,88 mi de sacas de conilon, alta de 24%) sustentaram os números positivos, enquanto o Espírito Santo sentiu o recuo do conilon, fechando em 16,48 milhões de sacas totais (-5,4%).

Imagem ilustrativa de café no Vale do Jequitinhonha • Giullia Gurgel/ Itatiaia
Imagem ilustrativa de café no Vale do Jequitinhonha • Giullia Gurgel/ Itatiaia

Consumo em alta: refresco no bolso e apelo com os jovens

No mercado interno, os dados da Abic mostram que o consumo no varejo cresceu 2,29% entre janeiro e agosto de 2026, absorvendo 13,5 milhões de sacas. O movimento acelerou no segundo quadrimestre (alta de 4,65%), favorecido pela normalização do abastecimento da indústria a partir de maio e por temperaturas baixas no inverno.

A expansão do consumo veio acompanhada de uma redução generalizada de preços ao consumidor final na comparação com agosto de 2025:

  • Tradicional / Extraforte: -21,22% (de R$ 62,83 para R$ 49,50/kg)
  • Solúvel: -19,31% (de R$ 252,36 para R$ 203,64/kg)
  • Superior: -14,37% (de R$ 78,17 para R$ 66,94/kg)
  • Gourmet: -13,18% (de R$ 117,92 para R$ 102,38/kg)
  • Especial: -10,34% (de R$ 145,17 para R$ 130,16/kg)
  • Descafeinado: -4,86% (de R$ 126,17 para R$ 120,04/kg)
  • Drip Coffee: -3,38% (de R$ 242,99 para R$ 234,78/kg)
  • Cápsulas: -1,39% (de R$ 413,73 para R$ 407,96/kg)

"As pessoas estão interessadas em falar sobre café, até os jovens. Isso traz à bebida algo extraordinário: deixa de ser uma bebida dos avós e passa a ser dos jovens", destacou o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio.

Para manter o ritmo de vendas nos meses mais quentes do ano, o presidente da entidade, Pavel Cardoso, aponta a aposta em bebidas prontas (ready to drink), cafés gelados e barras de proteína saborizadas.

Lavoura de café no Vale do Jequitinhonha • Giullia Gurgel/ Itatiaia
Lavoura de café no Vale do Jequitinhonha • Giullia Gurgel/ Itatiaia

 

Recordes no comércio exterior e horizontes para 2027

A maior disponibilidade de grãos se refletiu diretamente nos portos. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país registrou o melhor mês de agosto da história em vendas externas, embarcando 4,155 milhões de sacas (+31% ante agosto de 2025) e gerando receita recorde de US$ 1,331 bilhão no mês.

No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção global recorde de 189,7 milhões de sacas na temporada 2026/27, ante demanda mundial de 179,7 milhões de sacas.

• Giullia Gurgel/ Itatiaia
• Giullia Gurgel/ Itatiaia

De olho no futuro, as chuvas registradas em setembro impulsionaram as floradas da safra 2027/28 no Brasil, gerando otimismo no campo acompanhado pelo Cepea. Para o próximo ciclo, a expectativa do setor é a recuperação da qualidade dos grãos e a preparação para o ciclo de bienalidade negativa do arábica, enquanto o conilon deve ganhar espaço no abastecimento.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

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