Safra recorde: Brasil deve colher 67,6 milhões de sacas de café em 2026
Impulsionada pela recuperação do café arábica, expansão de área e ganhos de produtividade, produção brasileira de 2026 cresce 19,6% e atinge o maior volume da história da Conab

A colheita brasileira de café de 2026 deve alcançar o recorde histórico de 67,6 milhões de sacas de 60 quilos, um salto de 19,6% na comparação anual. Segundo o 3º Levantamento da Safra divulgado pela Conab nesta quinta-feira (24), a disparada de 34,8% na produção da variedade arábica compensou as perdas no conilon capixaba e abriu margem para embarques recordes do grão em agosto.
O resultado é impulsionado principalmente pelo ciclo de bienalidade positiva do café arábica, aliado ao uso intensivo de tecnologia no campo e ao clima favorável ao longo do ano.

Arábica dispara e compensa retração na safra do conilon
O grande motor do recorde em 2026 foi a variedade arábica, responsável por aproximadamente 70% da colheita nacional. Influenciada pela bem-sucedida granação dos frutos e pelo regime de chuvas regular, a estimativa para o café arábica alcançou 48,2 milhões de sacas, uma alta expressiva de 34,8% em relação ao ano anterior.
Em sentido oposto, a variedade conilon (robusta) registrou retração de 6,6%, somando 19,4 milhões de sacas. A queda foi provocada pelo impacto das temperaturas baixas na época da florada no Espírito Santo, principal produtor do grão.
Panorama do desempenho nos principais estados produtores:
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Minas Gerais: 34,96 milhões de sacas (Arábica) — Alta expressiva
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Fatores de desempenho: clima favorável até março, boa granação dos frutos e ciclo de alta bienalidade.
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Espírito Santo: 16,48 milhões de sacas (Total) — Queda de 5,4%
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Fatores de desempenho: queda de 14,3% na variedade conilon devido ao frio no período da florada, compensada parcialmente pela forte alta no arábica (+33%).
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São Paulo: 6,19 milhões de sacas (Arábica) — Crescimento forte
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Fatores de desempenho: chuvas bem distribuídas e temperaturas amenas, sem ocorrência de calor excessivo.
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Bahia: 4,49 milhões de sacas (Total) — Crescimento de 1,2%
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Fatores de desempenho: clima estável, maior aporte em insumos e entrada de novas áreas em produção (1,19 mi de sacas de arábica e 3,3 mi de conilon).
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Rondônia: 2,88 milhões de sacas (Conilon) — Crescimento de 24,0%
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Fatores de desempenho: regime de chuvas regular, alto padrão tecnológico adotado pelos produtores e grãos de excelente rendimento.
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Mercado e exportações: recorde em agosto e cotações sob pressão
O aumento da oferta nacional refletiu diretamente nas remessas para o exterior. Em agosto de 2026, o Brasil exportou 3,8 milhões de sacas, estabelecendo o maior volume da história para o mês de agosto, com avanço de 43,2% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No acumulado de janeiro a agosto, no entanto, as exportações totalizaram 24,6 milhões de sacas, recuo de 6,6% em relação a 2025.
No cenário global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção recorde de 189,7 milhões de sacas na temporada 2026/27 (+6,1%), enquanto a demanda mundial deve crescer 3,6%, somando 179,7 milhões de sacas.
A entrada da grande safra brasileira, somada às perspectivas favoráveis para a colheita no Vietnã e na Colômbia, impõe pressão de baixa nas cotações internacionais. Contudo, analistas apontam que quedas bruscas de preço devem ser limitadas pelo baixo nível dos estoques mundiais, alta demanda global e incertezas associadas ao fenômeno climático El Niño.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



