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Minas deve produzir 33,4 milhões de sacas de café em 2026, aponta Faemg

Estimativa do Sistema Faemg Senar supera projeções da Conab e do IBGE; Sul de Minas concentra metade da produção estadual

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Fabiano Frade / Itatiaia

Minas Gerais deve produzir 33,4 milhões de sacas de café arábica na safra 2026, segundo levantamento do Sistema Faemg Senar divulgado na manhã desta quarta-feira (09) no Centro de Excelência em Cafeicultura, em Varginha. A estimativa representa crescimento de 32,5% em relação à produção registrada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2025.

O número também está 1,8% acima da projeção da Conab divulgada em maio e 4,7% superior à estimativa do IBGE apresentada em março.

Os dados foram coletados diretamente com cafeicultores durante o período de colheita. A pesquisa contou com a parceria da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e buscou reunir informações de propriedades de diferentes tamanhos e perfis. Presidente do Sistema FAEMG Senar, Antônio de Salvo reforça a importância dos dados para amparar o setor nas ações e na condução das lavouras.

Pesquisa busca retratar realidade do campo

De acordo com a analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes, a metodologia procurou evitar um recorte restrito aos produtores atendidos pela assistência técnica. “Pesquisamos também produtores fora da assistência técnica e gerencial para a gente não ter o viés da assistência. Pegamos produtores desde muito pequenos, com menos de 2 hectares, até produtores maiores, com mais de 100 hectares.”

Segundo ela, o objetivo foi reunir diferentes realidades produtivas para chegar a uma estimativa mais próxima do que está sendo observado nas lavouras. “ Pegamos todas as possíveis variáveis produtivas que a gente tem no estado para ter esse número bem próximo à realidade. Não é o número real, é uma estimativa.”

A coleta ocorreu em diferentes momentos da colheita, desde propriedades que ainda não haviam iniciado os trabalhos até aquelas com a colheita mais avançada.

Sul de Minas concentra metade do café produzido em Minas

O Sul de Minas mantém o protagonismo na cafeicultura estadual e responde por aproximadamente 50% do café produzido em Minas Gerais. A região também é responsável por cerca de 30% da produção nacional de café arábica, segundo informações apresentadas durante o levantamento.

Para Ana Carolina, os dados obtidos diretamente no campo podem contribuir para melhorar o planejamento de produtores e de toda a cadeia produtiva. “ A gente não tem o intuito de comparar com fontes oficiais, mas sim adicionar uma camada de inteligência.”

Ela explica que a pesquisa permite observar a produção diretamente nas propriedades e transformar essas informações em subsídios para decisões futuras. “ Esses dados foram coletados em campo, vistos no pé junto com o produtor. Então, ele tem uma riqueza, uma preciosidade muito grande.”

• Fabiano Frade / Itatiaia
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Produção maior exige planejamento

A estimativa de 33,4 milhões de sacas também levanta uma questão para o produtor: como se preparar para um cenário de crescimento da produção?

Segundo Ana Carolina, esse é um dos principais objetivos do levantamento. “Se a gente pega esse número de 33,4 milhões de sacas e compara com as estatísticas oficiais passadas, a gente tem um crescimento de produção de 32,5% na safra de 2026. Ou seja, estamos numa vertente de crescimento", disse.

Para ela, o aumento da produção precisa vir acompanhado de decisões estratégicas dentro das propriedades. “O que eu, enquanto produtor, vou fazer? Vou plantar mais? Vou melhorar a produtividade? Vou diminuir custo?”, acrescentou.

A analista destaca ainda que a intenção é ampliar a iniciativa para outras regiões e culturas, contribuindo para uma base de dados cada vez mais próxima da realidade do setor cafeeiro.

Safra 2027 ainda é uma incógnita

Apesar da perspectiva positiva para 2026, ainda não é possível estimar como será a próxima safra. Ana Carolina explica que o ciclo de 2027 ainda está em desenvolvimento e depende de fatores como florada, pegamento e enchimento dos grãos. “ A gente está numa perspectiva de crescimento, mas o quanto vai crescer, como vai crescer, a gente ainda não tem condições de afirmar.”

O clima é um dos principais fatores de preocupação. Desde 2021, a cafeicultura enfrenta episódios de geadas, ondas de calor, irregularidade das chuvas e precipitações durante a colheita. “Cada ano é um desafio. Então, é muito difícil a gente ter essa dimensão, principalmente hoje, que ainda está muito antecipado desse início de safra.”

• Fabiano Frade / Itatiaia
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Tecnologia e sustentabilidade ganham espaço

O avanço tecnológico também aparece como uma das estratégias para aumentar a eficiência da produção. Drones, estações meteorológicas, mecanização e ferramentas de inteligência artificial já começam a fazer parte da rotina de propriedades produtoras.

No Sul de Minas, outro movimento que ganha força é a agricultura regenerativa, com práticas voltadas à conservação do solo, reaproveitamento de resíduos e melhoria da eficiência ambiental das propriedades. O cenário, portanto, combina aumento da produção, adoção de tecnologia e busca por sustentabilidade, mas também exige atenção aos custos, ao crédito e às condições climáticas.

Para o Sistema Faemg Senar, transformar os dados coletados no campo em informação para tomada de decisão pode ser um dos caminhos para que o produtor esteja mais preparado para os próximos ciclos da cafeicultura.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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