Dados mais precisos sobre produção de café podem ajudar produtores a tomar melhores decisões
Para executivo do setor, números mais confiáveis sobre o tamanho das safras ajudariam a reduzir incertezas, melhorar a comercialização e dar mais previsibilidade ao mercado

Ter um número mais preciso sobre quanto café o Brasil realmente produz pode fazer diferença na decisão do produtor sobre quando vender, quanto armazenar e como negociar a safra. A avaliação é de Mateus Nogueira Paiva, diretor de Café do grupo Porto Seco, em Varginha, no Sul de Minas.
Segundo o executivo, a existência de diferentes estimativas para o tamanho das safras aumenta a incerteza para toda a cadeia. Um levantamento mais próximo da realidade permitiria que produtores, compradores, exportadores e demais agentes do mercado trabalhassem com uma mesma referência. “O setor saber quanto realmente está produzindo, criar um número que todo mundo converse nesse número, seria muito bom para todos”, afirma Paiva.
Na avaliação dele, uma informação mais precisa sobre a oferta disponível poderia contribuir para decisões comerciais mais equilibradas. Com maior clareza sobre o volume produzido e os estoques, o produtor teria mais elementos para avaliar se é o momento de comercializar o café ou esperar uma oportunidade melhor.
Dados influenciam diretamente o mercado
Nessa quinta-feira (09) foi lançada no Centro de Excelência em Cafeicultura, em Varginha, no Sul de Minas, a estimativa da primeira Pesquisa Safra Café que apurou que o estado deve alcançar 33,4 milhões de sacas em 2026.
E é justamente a definição do tamanho da safra é um dos fatores que ajudam a determinar a percepção de oferta e demanda no mercado. Quando as estimativas apresentam diferenças significativas, produtores e compradores podem tomar decisões com base em cenários que posteriormente não se confirmam.
Para Paiva, melhorar a qualidade das informações é importante não apenas para quem vende café, mas para toda a cadeia produtiva.
O Brasil ocupa uma posição estratégica no mercado internacional e, segundo o executivo, tem condições de funcionar como uma espécie de estoque regulador mundial. Para isso, porém, é necessário conhecer com maior precisão o volume efetivamente produzido e disponível.

Varginha é um dos principais polos do café
A discussão sobre dados ganha ainda mais relevância em Varginha, uma das principais referências brasileiras na comercialização e exportação do café.
Segundo Paiva, o grupo Porto Seco e a empresa Alvear movimentam, juntos, cerca de 6 milhões de sacas.
A estrutura também está sendo ampliada. Um novo armazém está em construção, dentro de um projeto que prevê capacidade para chegar a 4 milhões de sacas armazenadas. Os investimentos na nova estrutura superam R$ 70 milhões, considerando instalações e equipamentos.
Informação também ajuda na logística
Além de contribuir para as decisões de comercialização, dados mais confiáveis podem melhorar o planejamento logístico do setor.
O transporte do café produzido em Minas Gerais até o Porto de Santos é apontado por Paiva como um dos principais desafios para os exportadores. Custos e prazos de transporte precisam ser considerados na formação do preço e no planejamento das vendas.
Para o executivo, quanto mais previsível for a produção, maior a capacidade de toda a cadeia de se organizar — desde o produtor que decide quando vender até as empresas responsáveis pelo armazenamento, transporte e exportação.
Produtor precisa comparar alternativas
Paiva também ressalta que o produtor deve avaliar diferentes possibilidades antes de decidir como comercializar a produção. A exportação direta, por exemplo, envolve custos e exigências que precisam ser considerados.
Por isso, conhecer melhor o tamanho da própria produção e o cenário de oferta do mercado pode ajudar o cafeicultor a comparar propostas de cooperativas, exportadores e outros compradores.
A avaliação é que informação de qualidade é uma ferramenta para melhorar a tomada de decisão no campo e reduzir a exposição do produtor às oscilações do mercado.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



