Agro exige profissionais mais qualificados e Senar oferta de cursos para atender novas demandas
Diretora de operações do Senar destaca avanço da tecnologia, sustentabilidade e inovação no campo e defende maior aproximação do setor com jovens e mulheres

A transformação tecnológica do agronegócio tem aumentado a necessidade de profissionais cada vez mais qualificados para trabalhar no campo. Com máquinas mais modernas, novas técnicas de produção e a necessidade de adoção de práticas sustentáveis, o conhecimento passou a ser um dos principais fatores para garantir produtividade e competitividade no setor.
A avaliação é de Mônica Bergamaschi, diretora de operações do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Em entrevista ao Itatiaia Agro, em Varginha, no Sul de Minas, no lançamento da Pesquisa Safra Café, ela destacou que a formação profissional deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade para quem pretende trabalhar no agronegócio. “O aprendizado nunca foi tão importante em qualquer área, principalmente no campo. Hoje nós temos a necessidade, a obrigatoriedade, de que aqueles que vão para o campo se formem, conheçam e aprendam”, afirma.
Segundo Mônica, o avanço da tecnologia, das práticas de sustentabilidade e das técnicas de produção mudou completamente o perfil exigido dos profissionais do campo.
“A tecnicidade chegou para ficar. A questão da sustentabilidade, da produtividade, tudo aquilo que é importante dentro do campo exige cada vez mais conhecimento”, explica.
Mais de 300 cursos oferecidos de forma gratuita
Para acompanhar essa transformação, o Senar oferece mais de 300 cursos gratuitos, em diferentes formatos. As capacitações podem ser realizadas de forma presencial, on-line ou híbrida, além de programas com diferentes níveis de especialização.
De acordo com Mônica, a estrutura envolve tanto a equipe nacional, em Brasília, quanto as administrações regionais mantidas pelas federações nos estados. “Tem cursos a distância, cursos presenciais, cursos híbridos, cursos mais curtos e várias modalidades”, explica.
Além das capacitações tradicionais, o Senar também ampliou a atuação com o Senar Qualifica e prepara uma nova modalidade voltada à inovação e à tecnologia. Segundo a diretora, o programa será lançado em novembro e terá como objetivo atender profissionais altamente tecnificados, que atuam na fronteira do conhecimento e das novas tecnologias aplicadas ao agronegócio. “A agricultura também evoluiu e o Senar vem acompanhando passo a passo para sempre oferecer ao produtor rural o melhor serviço possível”, afirma.
Falta de mão de obra qualificada é desafio
A qualificação também aparece como resposta a um dos principais gargalos enfrentados atualmente pelo agronegócio: a falta de mão de obra.
O setor encontra dificuldades não apenas para preencher determinadas vagas, mas também para encontrar profissionais preparados para funções cada vez mais especializadas.
Para Mônica, a tecnologia pode ajudar a reduzir parte dessa pressão, mas não substitui a necessidade de formação. “Temos desenvolvido tecnologias que acabam substituindo em parte um pouco dessa mão de obra. Mas o que nos cabe é tornar o setor atraente”, afirma.
Na avaliação dela, é preciso mostrar principalmente aos jovens que o agronegócio oferece oportunidades profissionais em diferentes áreas.
Mulheres ganham espaço no campo
Mônica também destaca a participação crescente das mulheres no agronegócio. Para ela, ampliar a visibilidade das oportunidades é fundamental para atrair novos profissionais para o setor. A estratégia, segundo a diretora, deve ir além da necessidade de encontrar trabalhadores.
“É trazer a pessoa não só pela necessidade, mas pela paixão, por aquilo que ela pode fazer, por essa parceria que existe com a natureza, de cultivar, de produzir, de gerar emprego”, afirma. Para Mônica, o agro é um setor tão amplo que comporta profissionais com diferentes formações e habilidades.
“Trabalhar com agro é uma cachaça. A gente começa, vai se apaixonando”, brinca.
Comunicação também é ferramenta para atrair novos profissionais
Além da oferta de cursos, a diretora defende que o setor precisa melhorar a comunicação com a sociedade para mostrar a dimensão das oportunidades existentes no agronegócio. Segundo ela, a imagem tradicional do campo já não corresponde à realidade de uma atividade que incorpora tecnologia, inovação, sustentabilidade e diferentes profissões. “A ideia é dar mais visibilidade a tudo aquilo que acontece e trazer a pessoa pela paixão, por aquilo que ela pode fazer”, afirma.
Para Mônica, o processo de transformação é permanente. Por isso, entidades de formação precisam acompanhar as mudanças e adaptar os conteúdos oferecidos aos profissionais. “Tem coisas que mudaram e que a gente não volta atrás, e tem coisas que vão mudar para frente. Então, a gente está sempre de olho naquilo que está acontecendo para ter as soluções para tudo aquilo que é necessário fazer pelo nosso setor”, conclui.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



