Valdir Barbosa: Mercado Futuro da B3 prevê alta recorde da carne bovina à partir de outubro
Em dezembro e janeiro nas festas de fim de ano a tendencia é de preços disparando para o consumidor

Amigas e amigos do Agro!
Mesmo com o bloqueio das exportações da carne bovina para a China e União Europeia, a B3 vai sustentando recordes na arroba bovina para outubro e depois para dezembro e janeiro. Mercado indicando festas do fim de ano sem a picanha prometida para boa parte dos brasileiros.
As oscilações que aconteceram em agosto foram pequenas quedas pontuais, não uma mudança de tendencia. O ciclo do boi, menos animais no mercado, estava previsto desde o ano passado aqui no Brasil, Australia e Estados Unidos, maiores produtores mundiais de carne bovina.
Os americanos passam pela pior crise da carne nos últimos 60 anos e os preços para o consumidor atingem marcas históricas em julho e agosto. Por isso, o presidente Donald Trump autorizou a importação de 300 mil toneladas de carne moída e novas cotas deverão ser liberadas esse mês favorecendo também o Brasil.
Resta saber se a China vai sustentar seu mercado interno sem comprar carne do Brasil.
O veto à carne brasileira na Europa traz mais prejuízo financeiro para os produtores do que no volume de exportação, porque a União Europeia é a que mais paga pela arroba bovina, que envolve carnes nobres e de alto valor agregado. Esses cortes são chamados pelos europeus de “Carne Hilton ou Cota Hilton.”
Sabe porque? Em 1979 numa rodada de negociações no Hotel Hilton em Tóquio, onde o Brasil esteve presente, foi firmado um acordo de exportação de carnes nobres para a então Comunidade Econômica Europeia. Devido ao momento simbólico deu-se o nome de Cota Hilton.
Para se ter uma ideia de janeiro a julho os europeus pagaram US$ 8.823 por tonelada, ao passo que para a China, Estados Unidos e outros países o preço médio ficou em US$ 6.166.
Daí vem a importância de exportar também para o Japão e Coreia do Sul que pagam preços altos por cortes nobres, entretanto é um mercado em negociação e que pode ser prejudicado pelo veto imposto na União Europeia.
Valdir Barbosa
Itatiaia Agro
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.



