Tecnologia e capacitação impulsionam a cafeicultura no Sul de Minas
Centro de Excelência em Cafeicultura, onde foi lançada a estimativa da safra, forma profissionais e apresenta soluções tecnológicas que já transformam o trabalho no campo

O café está entre as principais forças do agronegócio brasileiro e movimenta uma cadeia produtiva que gera mais de 8 milhões de empregos no país. No Sul de Minas, maior região produtora de café do Brasil, tecnologia e qualificação profissional têm sido apontadas como caminhos para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos grãos e garantir a permanência das novas gerações no campo.
Foi na região que a reportagem, a convite do Sistema FAEMG/SENAR, conheceu o Centro de Excelência em Cafeicultura (CEC), espaço dedicado à formação e capacitação de profissionais para o setor. Local, onde na última semana, 33 alunos concluíram o curso técnico de café oferecido pela instituição. Também no local foi divulgado o levantamento Safra Café, nessa quinta-feira (09).
Formação profissional e qualidade do café
Para o diretor do Centro de Excelência em Cafeicultura, Roberto Barata, a capacitação tem reflexo direto nos resultados das propriedades. “Quanto mais a gente forma profissionais, menos a gente perde qualidade de café e mais a gente produz. Se a gente analisar que a falta de manejo adequado de uma lavoura faz você não produzir, então você não perde o que você não produziu. Você aumenta a sua produtividade, você aumenta a produção.”
Criado em 2023, o Centro de Excelência acompanha a evolução da atividade e busca preparar profissionais para uma cafeicultura cada vez mais tecnológica.
“Falar hoje de excelência na cafeicultura é falar de acompanhar todos esses movimentos tecnológicos”, afirma Barata.

Tecnologia ganha espaço nas lavouras
O avanço tecnológico transformou a rotina do agronegócio. Equipamentos guiados por GPS, máquinas capazes de ajustar a aplicação de fertilizantes de acordo com as características do solo, sistemas de automação e drones já fazem parte da realidade de propriedades rurais.
Na cafeicultura, os drones são utilizados, entre outras funções, para a pulverização das lavouras. A tecnologia ganha importância principalmente em áreas montanhosas, onde o acesso de máquinas convencionais é mais difícil. Segundo Roberto Barata, a modernização também pode contribuir para aproximar os jovens da atividade rural.
“Hoje, com um celular, você faz o planejamento de muita coisa. Com um joystick, você controla um drone. E o jovem gosta disso, gosta de tecnologia.”, complementa.
Para o diretor do CEC, a rentabilidade da cafeicultura, aliada à modernização do setor, pode favorecer a sucessão nas propriedades familiares. “ A cafeicultura, por ser rentável, facilita a sucessão empresarial, facilita que o jovem volte para a propriedade familiar. E isso é muito importante.”
Sul de Minas concentra produção e geração de renda
O gerente regional do Sistema FAEMG/SENAR no Sul de Minas, Caio Oliveira, destaca o peso da região na cafeicultura nacional. Ele explica que o Sul de Minas é responsável por aproximadamente 30% do volume nacional de produção de café arábica. A importância da atividade, no entanto, vai além dos números da produção. “Isso demonstra a importância da cultura não só na parte econômica, mas também na parte social, porque aqui no Sul de Minas essa produção de café está distribuída, na sua grande maioria, nas pequenas e médias propriedades, que geram emprego, renda e a fixação, o sustento do homem no campo.”
Inovação também está ao alcance do pequeno produtor
A adoção de tecnologia não é exclusividade das grandes propriedades. De acordo com Caio Oliveira, existem soluções simples que podem melhorar os resultados de produtores de diferentes tamanhos.
Uma delas é a análise de solo, que permite conhecer melhor as características da área e orientar o uso adequado de insumos. A análise de folhas, a escolha correta dos produtos e a regulagem dos equipamentos de pulverização também podem fazer diferença na produtividade. “Quando a gente fala de tecnologia e inovação, não estamos nos referindo somente ao grande produtor. Nós temos várias soluções que podem ser aplicadas ao produtor rural.”
Em propriedades que já avançaram na adoção de novas ferramentas, o pacote tecnológico pode incluir irrigação, automação e pulverização com drones. A ideia é que o produtor avance gradualmente, incorporando novas soluções de acordo com a necessidade e a realidade da propriedade. “Conforme o produtor vai evoluindo nesses pacotes tecnológicos, a tendência é que ele vá adquirindo cada vez mais outras soluções de tecnologia, que vêm sempre para nos ajudar a ser mais eficientes, mais produtivos e mais lucrativos dentro da nossa atividade.”
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



