Com meta de 700 novos mercados, ministro André de Paula destaca força do agro no PIB
Em evento em São Paulo, ministro celebra a marca de 641 mercados abertos e projeta isenção de tarifas para 5 mil produtos com o acordo europeu

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou a força internacional e o papel estratégico do agronegócio para a economia nacional durante sua participação no Veja Fórum Agro 2026, realizado nesta terça-feira (16), em São Paulo. No painel "Novas oportunidades para o agro brasileiro", o chefe da pasta apresentou um balanço das ações de comércio exterior e projetou superar as metas de expansão global do setor até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o ministro, o governo federal já alcançou 641 novas aberturas de mercado para os produtos agropecuários nacionais desde o início da atual gestão. "Nossa meta é chegar a cerca de 700 novas aberturas de mercado até o fim do terceiro governo do presidente Lula. Já alcançamos 641 e tenho convicção de que vamos superar esse objetivo", afirmou André de Paula, ressaltando também a ampliação da rede de adidos agrícolas no exterior, que saltou de 29 para 40 postos estratégicos.
O ministro relembrou dados de peso que consolidam o setor como o principal motor do PIB nacional: o agro responde hoje por 49,5% da pauta de exportações brasileiras, gera cerca de 32 milhões de empregos e registrou um crescimento expressivo de 11,7% no PIB no último ano.
Acordo Mercosul-União Europeia e a rota da diplomacia sanitária
Um dos temas centrais do evento foi o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que consolidou uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, abrangendo 780 milhões de consumidores e um PIB combinado de US$ 22 trilhões.
Segundo André de Paula, cerca de 5 mil produtos brasileiros serão impactados positivamente pela medida, sendo a grande maioria oriunda do agronegócio. O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, revelou que setores como frutas, café, proteínas animais, arroz, suco de laranja e cacau já colhem frutos da redução tarifária. "Um exemplo foi o primeiro embarque de uvas brasileiras para a União Europeia realizado já com tarifa zerada", exemplificou Soares, classificando o tratado como uma relação "ganha-ganha" que também barateia a importação de maquinário agrícola europeu de ponta.
Outro ponto celebrado foi o status sanitário do país. O reconhecimento recente da China e da Rússia do Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação chancelou a robustez da defesa agropecuária nacional. No campo dos insumos, o ministro destacou o sucesso das tratativas com o governo chinês para ampliar o fornecimento de fertilizantes, medida que estabilizou o preço da ureia e aliviou os custos de produção no campo.
Sustentabilidade e os rumos do próximo Plano Safra
A complementaridade das exportações também pautou os debates. Enquanto a China se consolida como o destino de grandes volumes de commodities, a União Europeia lidera a demanda por produtos de maior valor agregado e exigências rígidas de sustentabilidade.
Para atender a esse padrão global, o secretário Cleber Soares reforçou as metas do Plano ABC+ (Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura):
- Meta: incorporar 52 milhões de hectares em sistemas produtivos sustentáveis até 2030 (incluindo integração lavoura-pecuária-floresta e recuperação de pastagens).
- Impacto: potencial de mitigação de 1,1 bilhão de toneladas de CO2 equivalente.
Financiamento e Crédito Rural
O fechamento do painel trouxe projeções para o próximo Plano Safra. Nos três primeiros ciclos da gestão atual, o governo destinou o volume histórico de R$ 1,576 trilhão para o financiamento da produção.Para o próximo ciclo, o Mapa trabalha para ampliar o montante e garantir maior previsibilidade aos produtores. Contudo, o ministro André de Paula não escondeu os desafios estruturais na formulação do crédito, citando o aumento dos custos financeiros, o endividamento de parcelas do setor, as incertezas geopolíticas globais e a urgência de se fortalecer o seguro rural diante da crescente volatilidade climática.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



