CNA aciona Itamaraty e Senado contra suspensão de carne e produtos animais pela UE
Entidade classifica decisão da União Europeia como "injustificada" e alerta para prejuízos imediatos ao agronegócio brasileiro

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, enviou ofícios ao ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira, e ao presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad, cobrando ações governamentais e diplomáticas imediatas após a decisão da União Europeia de interromper a entrada de produtos brasileiros de origem animal.
Segundo a CNA, as restrições impostas pelo bloco, que começam nesta quinta-feira (3), representam uma aplicação extraterritorial injustificada de normas sobre uso de antimicrobianos. A entidade alega que a medida ignora o rigor do sistema sanitário brasileiro e impõe prejuízos imediatos aos produtores nacionais.
CNA defende retaliação comercial e compensações
No documento direcionado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), João Martins defendeu que o Brasil avalie o acionamento do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões, previsto no Acordo Mercosul-União Europeia. O dispositivo visa proteger as partes envolvidas contra decisões unilaterais que quebrem o equilíbrio econômico-comercial acordado.
A entidade sustenta que o bloqueio gera "manifesta anulação e prejuízo de benefícios comerciais legitimamente esperados pelo Brasil" e que o país tem o direito de exigir a restauração desse equilíbrio. Caso a situação não seja revertida, a CNA sugere que o governo brasileiro solicite compensações equivalentes ou aplique a suspensão proporcional de concessões tarifárias hoje concedidas aos produtos europeus.
Pedidos de intervenção ao Senado Federal
Paralelamente, o ofício encaminhado ao Senado Federal solicita a atuação do Legislativo para pressionar o Poder Executivo e os representantes do bloco europeu. Entre os pedidos direcionados ao senador Nelsinho Trad, estão:
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Audiência pública: convocação dos ministros do MRE, do Ministério da Agricultura (Mapa) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para avaliar os danos econômicos e traçar planos de defesa comercial;
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Reunião com diplomatas: encontro com o embaixador da União Europeia e chefes de missão dos estados-membros no Brasil para cobrar esclarecimentos;
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Pedido formal de informação: requerimento ao Poder Executivo sobre a viabilidade jurídica de adotar o Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões.
Para a CNA, a intervenção rápida do Senado é "indispensável para a competitividade do produtor rural brasileiro e para restabelecer o equilíbrio nas relações bilaterais".
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



