Valdir Barbosa: PIB do Agro pode encolher com bloqueio de vendas de carnes para China e UE
A partir desta quinta-feira (3), as carnes brasileiras não entram na União Europeia até que o Brasil obedeça as regras sanitárias do bloco. A cota de carne bovina para a China já se esgotou

Amigas e amigos do Agro!
A agropecuária brasileira vem a um bom tempo empurrando o PIB brasileiro para cima, mesmo num momento como esse em que os preços da maioria dos produtos agrícolas mais fortes não renderiam o que produtor rural esperava.
Falta de seguro rural, clima adverso, custo de produção e um mercado internacional instável contribuíram para um lucro reduzido de muitos produtores e o endividamento de outros.
O interessante é que alguns produtos estão recuperando preços agora como a soja, milho, carne bovina e o arroz que teve menor volume produzido e preços subindo agora. Sobe também o feijão carioca e o preto.
Preços da soja e do milho avançam na Bolsa de Chicago. Lembrando que a China acaba de comprar mais 136 mil toneladas da soja americana.
O milho chega a 70 reais a saca e a soja se eleva para a média de 140 reais com 160 nos portos de Santos e Paranaguá. Com esse valores, principalmente da soja, o produtor já começa a pensar em travar preços na B3.
As tradings, cooperativas e revendas de insumos também travam os preços da soja através de contratos físicos.
O PIB da agropecuária no terceiro trimestre não terá o mesmo impacto, porque teremos menos carne bovina para a China e também para a União Europeia, nesse caso incluindo frango, pescados e mel.
Esse bloqueio comercial não vale para os demais países do Mercosul. Argentina, Uruguai e Paraguai continuam embarcando carnes para a União Europeia.
Todos cumpriram as regras do contrato comercial entre os blocos. Infelizmente, o governo brasileiro negligenciou o que estava estabelecido desde 2019.
Prejuízo calculado de até 2 bilhões de dólares para os produtores e para os cofres brasileiros.
Valdir Barbosa
Itatiaia Agro
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.



