Café sabor algodão doce, bala halls e outros exóticos de Rondônia e Bahia marcam a SIC

Segundo dia do maior evento da cafeicultura reúne produtores e visitantes de todo o país

Arildo Ferreira de Rondônia e Eufrásio Lima da Bahia são alguns dos produtores no evento

A 13ª edição da Semana Internacional do Café (SIC) em Belo Horizonte se tornou o palco para a exibição de histórias e sabores únicos. Produtores de diversas regiões do país trouxeram ao público não apenas grãos de alta qualidade, mas verdadeiras histórias embaladas.

Do Robusta desvalorizado a vencedor de prêmios

Arildo Ferreira, de Cacoal, Rondônia, marcou sua terceira participação na SIC. Para o cafeicultor de 47 anos, terceira geração da família, o negócio transcende a commodity. “Eu não vendo café, eu vendo história,” afirma Ferreira, que foi reconhecido em 2023 com o prêmio de segundo melhor Robusta da SIC.

Arildo Ferreira da AF Café de Rondônia

Um de seus cafés, o “Manhã de Natal”, chama atenção com notas festivas. “Ele traz muitas notas de frutas secas, castanha, panetone. Então é um café muito exótico. Pessoal está provando e gostando muito”, contou Ferreira à Itatiaia.

Café “Manhã de Natal” da AF Café, de Rondônia

O investimento na história se estende à embalagem da marca AF Café, de Arildo. Uma delas exibe a imagem de uma onça “escondida” pela metade, uma metáfora para a trajetória do robusta. “Quando você vê a onça oculta, a metade, é porque o robusta era um café considerado um dos piores e hoje é um café muito bom, café de qualidade, que traz todo esse trabalho,” explica o produtor.

Café Robusta Amazônico da AF Café

A onça simboliza também a sucessão familiar — “carrega um legado de sucessão familiar muito forte,” que Ferreira deseja passar para suas filhas — e o compromisso ambiental. “A gente tem 40% de mato preservado dentro da nossa propriedade. Em 2022, a gente plantou mais de 6.000 árvores, recuperando o nascente que tinha na propriedade,” destaca. “O olhar fixo sempre vai ser em qualidade, sustentabilidade e sucessão familiar.”

Café sabor Halls? Os exóticos da Amazônia

Também representando os Robustas Amazônicos, Geanderson Gambarte, de Novo Horizonte do Oeste, Rondônia, atrai a curiosidade dos visitantes com sabores exóticos.

Um de seus cafés, com fermentação mais intensa, remete à famosa bala de menta. “Nesse café que a gente denominou ele de bala Halls, porque é um café que traz bastante refrescância, notas de hortelã e menta,” revela Gambarte. Outras opções no estande levam nomes igualmente curiosos, como “algodão doce,” “pão de mel,” e “piña colada.”

Café algodão doce e bala Halls de Rondônia

Bahia: homenagem e reconhecimento nacional

A Bahia marca sua presença com Eufrásio Lima, de Barra do Choça, que compartilha o orgulho de sua trajetória e os diversos prêmios conquistados. “Estamos entre os melhores cafés do Brasil e já ganhei vários prêmios, municipal, baiano, nacional. Aqui na SIC, no ‘Café da Florada’, a gente já foi premiado também,” diz Lima à reportagem.

Eufrásio Lima da Bahia

Entre os destaques está o “Raridade da Neide,” uma homenagem à esposa, também produtora. "É um café que ela mesma foi na roça produzir, catar, colher. A gente fez esse processo e [é] realmente um café raro de alta qualidade,” contou Eufrásio da marca Eufrásio Café, com apoio do Sebrae. O kit especial com o nome da esposa celebra a parceria e a qualidade do grão.

Oportunidade de pesquisa e negócios

O evento também é uma grande oportunidade de pequenos, médios e grandes produtores e empresários fazerem negócios.

Luiz Carlos Moreira Barbosa, CEO da Jequitinhonha Alimentos e os filhos, fundadores da Poema Café, foram para a SIC em busca de experiências. “A SIC 2025 está repleta de produtores com cafés de altíssimo nível, com bebidas exóticas e acima de tudo, com muitas histórias. E estamos enxergando grande oportunidade de fazer links e conexões com esses produtores”, contou à reportagem.

Na SIC, os modos de preparo mais rápidos e a demanda do consumidor, chamaram a atenção do CEO.

“Os modos de preparo estão surpreendendo, o perfil da monodose, por exemplo, o Drip Coffee, que não é uma novidade, mas vem crescendo muito e também as próprias cápsulas que estão reinventando com uma pegada diferente. Eu vejo que é um segmento que não tem volta, é para onde estão caminhando as bebidas rápidas”, pontuou.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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