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Brasil supera bloqueio marítimo e exportação para o Golfo volta a crescer em junho

Vendas para o mercado árabe avançam 3,73% no semestre, impulsionadas pela reação das exportações rumo ao Golfo após gargalo em Ormuz

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Brasil supera bloqueio marítimo e exportação para o Golfo volta a crescer em junho
Porto de Jeddah, na Arábia Saudita, vira alternativa de acesso ao Golfo • CCAB/Divulgação

As exportações brasileiras para os países integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — bloco composto por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã — registraram avanço de 1,25% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado. De acordo com os novos dados consolidados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o faturamento do mês atingiu US$ 758,14 milhões.

Na avaliação técnica da entidade, o resultado positivo de junho sinaliza uma importante e aguardada reversão das perdas comerciais provocadas pelos conflitos militares na região. Desde fevereiro, as tensões geopolíticas limitam o acesso de navios cargueiros aos portos do Golfo através do Estreito de Ormuz, o que impacta o fluxo logístico internacional e afeta, sobretudo, o comércio de commodities minerais e do agronegócio brasileiro.

Desafio logístico e o balanço do semestre

Apesar da reação observada no fechamento de junho, o saldo total do primeiro semestre ainda reflete o peso do bloqueio marítimo. De janeiro a junho, as vendas acumuladas para o CCG somaram US$ 4,17 bilhões, número que representa queda de 4,01% em relação ao primeiro semestre do ano anterior.

Para Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe, embora o indicador positivo de junho traga otimismo, ainda é prematuro cravar se a tendência de alta persistirá nos próximos meses para cobrir o recuo do início do ano. O dirigente, no entanto, mantém um prognóstico bastante favorável para o restante do ano.

“O Brasil não perdeu espaço nos maiores mercados árabes. O setor exportador encontrou rotas alternativas para fazer seus produtos chegarem ao Golfo, com o uso de portos estratégicos no Mar Vermelho em combinação com modais rodoviário e aéreo”, destaca Mourad. “Os custos extras desse rearranjo logístico ficam sob a responsabilidade de exportadores, importadores e também dos consumidores finais. O fator crucial é que a demanda pelos produtos brasileiros continua similar à de tempos de paz.”

O secretário-geral pontua também que o segundo semestre é historicamente o período de maior tração comercial devido à formação antecipada de estoques de alimentos para o Ramadã (o mês sagrado dos muçulmanos). Em 2027, o feriado religioso começará em fevereiro, fato que deve antecipar o pico de embarques para os meses de setembro, outubro e novembro deste ano.

Fonte: CCAB com base em dados do ComexStat • Brasil supera bloqueio marítimo e exportação para o Golfo volta a crescer em junho
Fonte: CCAB com base em dados do ComexStat • Brasil supera bloqueio marítimo e exportação para o Golfo volta a crescer em junho

Desempenho por países e setores

Quando analisado o cenário expandido para os 22 países que compõem a Liga Árabe (incluindo o bloco do CCG), o comércio exterior brasileiro demonstra sólida resiliência. As vendas totais para a região avançaram 3,73% no semestre e alcançaram a marca de US$ 9,56 bilhões. O crescimento ocorreu inclusive com parceiros comerciais afetados de forma direta pelo gargalo de Ormuz.

  • Liga Árabe (Total): faturamento de US$ 9,56 bilhões, com crescimento de 3,73%
  • Emirados Árabes Unidos: US$ 1,72 bilhão, com crescimento de 6,01%
  • Egito: US$ 1,68 bilhão, com crescimento de 31,73%
  • Arábia Saudita: US$ 1,51 bilhão, com crescimento de 11,00%
  • Argélia: US$ 1,32 bilhão, com crescimento de 12,49%
  • Agronegócio no Golfo (CCG): US$ 2,58 bilhões, com queda de 1,06%

A força do agronegócio

As exportações do agronegócio continuam como o motor das trocas comerciais e respondem por três quartos (75%) de tudo o que o Brasil envia para a Liga Árabe. No cômputo geral da região, o setor cresceu 5% no semestre e movimentou US$ 7,03 bilhões. Ao isolar apenas o bloco do Golfo, o agronegócio anotou leve recuo de 1,06%, mas manteve receita expressiva de US$ 2,58 bilhões.

Desempenho das cinco principais commodities agrícolas exportadas para os parceiros árabes no período:

  • Açúcar: liderou a pauta do agro com US$ 1,79 bilhão, com registro de queda de 7,45%.
  • Carne de frango: segundo item mais exportado, com soma de US$ 1,57 bilhão (recuo de 9,99%).
  • Milho: registrou forte aceleração com alta de 49,51% e soma de US$ 794,90 milhões.
  • Carne bovina: avançou 7,33% e gerou receita de US$ 792,27 milhões.
  • Soja: apresentou elevação de 14,19% e totalizou US$ 758,49 milhões.

Conforme conclui Mourad, as quedas pontuais registradas em proteínas e no açúcar foram balanceadas pelo excelente momento dos grãos, o que mantém a balança comercial dentro das margens históricas de oscilação. "O Brasil segue na liderança do fornecimento de alimentos para os países árabes. Se mantivermos este ritmo de escoamento pelas rotas alternativas, há possibilidade de fechar o ano com avanço real nas receitas gerais sobre o ano passado", projetou.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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