Brasil registra maior abate de bovinos e suínos para um 1º trimestre na história
Além do recorde em bois e porcos, avicultura de frangos registra o segundo melhor trimestre da história com 1,71 bilhão de cabeças, segundo o IBGE

A pecuária brasileira começou o ano de 2026 com marcas históricas. Dados das Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, divulgados nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que os setores de bovinos, suínos e frangos registraram os melhores resultados para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997.
O período também foi marcado por recordes na captação de leite e por uma forte participação das fêmeas no abate bovino, sinalizando novas dinâmicas no mercado de proteína animal.

Bovinos: retomada no abate de fêmeas dita o ritmo do recorde
No primeiro trimestre de 2026, o país abateu 10,29 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária. O volume é 3,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025, embora represente uma retração sazonal de 6,9% na comparação com o quarto trimestre do ano passado.
De acordo com Octávio Oliveira, gerente de Pecuária do IBGE, a alta foi impulsionada por um comportamento específico do mercado produtor. "O setor de bovinos foi marcado pelo maior volume de abate e produção de carcaças em um primeiro trimestre. A participação de fêmeas no abate teve um aumento superior à de machos e atingiu o recorde de 49,9%. Este comportamento significa a retomada do crescimento do abate de fêmeas, após dois trimestres sucessivos de queda".
O volume resultou na produção de 2,63 milhões de toneladas de carcaças bovinas — um incremento de 5,1% em termos anuais e recuo de 10,3% frente ao trimestre imediatamente anterior.
Liderança nos estados
O Mato Grosso segue isolado na liderança do abate de bovinos no país, sendo seguido de longe por estados do Sudeste, Centro-Oeste e Norte:
- 1º Lugar – Mato Grosso: Lidera o ranking nacional com 17,5% de participação.
- 2º Lugar – São Paulo: Ocupa a segunda posição, respondendo por 11,6% do mercado.
- 3º Lugar – Goiás: Fica em terceiro lugar, com uma fatia de 9,2%.
- 4º Lugar – Pará: Fecha o grupo dos quatro maiores, com 9,1% da participação nacional.
Suínos e frangos: altas anuais consolidam protagonismo do Sul
O setor de suínos alcançou a marca de 15,27 milhões de cabeças abatidas entre janeiro e março de 2026. O número consolida uma alta de 5,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e uma estabilidade técnica (-0,1%) na comparação com o final do ano passado. O peso acumulado das carcaças subiu para 1,43 milhão de toneladas.
A Região Sul retém o monopólio da produção de suínos, com Santa Catarina na liderança isolada (28,1%), seguida por Paraná (20,9%) e Rio Grande do Sul (17,8%).
Já a avicultura de frangos registrou o segundo melhor trimestre de toda a sua história — superado apenas pelo recorde do fechamento de 2025. Foram 1,71 bilhão de cabeças abatidas, um avanço de 3,6% no confronto anual. O peso total das carcaças de frango atingiu 3,73 milhões de toneladas.
No segmento avícola, o Paraná lidera o mercado nacional com folga:
- Paraná: 35,0%
- Santa Catarina: 13,3%
- Rio Grande do Sul: 11,8%
- São Paulo: 10,9%
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



